[CONQUISTA]: PF diz que licitação da Zona Azul tem indícios de fraude; Decisão de suspender contrato é da Prefeitura


A operação Condotieri, deflagrada nesta quinta-feira (30) em Vitória da Conquista está entrelaçada a outras investigações da Polícia Federal e Ministério Público da Bahia, De acordo com informações do delegado da PF em Conquista, Rodrigo Kolbe, uma “organização criminosa” atuava na cidade tendo ligações com empresários alvos na operação Calicute, que representou a 37ª fase da operação Lava Jato e que em 2016 desvendou um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa em obras do Rio de Janeiro.

Essa ligação se deu através da empresa Expark (Consórcio Vitória da Conquista Rotativo), vencedora da licitação em 2014, na gestão anterior. De acordo com o delegado da Polícia Federal, “a licitação da Zona Azul  é posta em cheque na medida que a empresa é comandada por 02 investigados na Operação Lava Jato no Rio de Janeiro e se estabeleceram em Vitória da Conquista com o apoio dessa organização criminosa. Ganharam a licitação com o apoio dessa organização criminosa e em troca essa organização criminosa recebeu valores em pecúnia”, disse Kolbe.

“A Zona Azul de Vitória da Conquista é formada por um consórcio, cujo 99% das cotas é controlada por essa empresa, que não existe no RJ. Essa empresa são de dois empresários, que foram alvos da Operação Calicuti, que na época fez todo esse levantamento sobre essa empresa que não existe, no RJ, nunca existiu. Eles vieram se instalar em Vitória da Conquista com o apoio desse pessoal, eles não vieram para cá porque queriam expandir os negócios deles para Vitória da Conquista”, explicou o delgado Kolbe na coletiva de imprensa.

Em nota a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista informou que, na manhã desta quinta-feira (30), a Polícia Federal protocolou uma solicitação de documentos referentes à concorrência pública nº 001/2014, na qual a empresa-consórcio Vitória da Conquista Rotativo (Zona Azul) sagrou-se vencedora, prestando serviços ao município desde a gestão passada.

LIGAÇÃO RJ-VCA

De acordo com a base de dados da Receita Federal, a empresa Expark tem em seu quadro de sócios e administradores: Norberto Fernandes Neto, Construtora Zadar Ltda e LocPark Participações Eireli (extinta em novembro do ano passado).  A empresa Zadar e os empresários Walter Guimarães de Moraes Júnior, Paulo Roberto Lacerda de Moraes e Norberto Fernandes Neto foram alvos de uma operaçao por parte do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), através do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC/MPRJ) e da Delegacia Fazendária da Polícia Civil.

A Zadar figura em contratos com o Estado do Rio de Janeiro para obras ligadas às Olimpíadas Rio 2016. Em Macaé, no norte fluminense, a empreiteira tem contratos com a gestão municipal desde 2010, em serviços de saneamento e macro drenagem. A marca também aparece em contratos divididos com a Odebrecht.

O consórcio Benge, relacionado ao legado das Olimpíadas em contrato com a Rio-Urbe para a execução da modernização do Parque Aquático Maria Lenk, também está registrado no mesmo endereço na Rua Senador Dantas. O grupo é formado pelas empresas Bacosa – Bahia Construtora, representada por Norberto Fernandes Neto, sócio de Walter na Engetécnica, e a própria Engetécnica, desta vez anunciada em outro endereço em Rio Bonito, interior do Estado. O CNPJ da Zadar em Rio Bonito aparece como doador de campanhas eleitorais neste mesmo ano, com um total destinado de R$ 1,9 milhão.

Redação BCS com informações da PF, Jornal O GLOBO e O DIA.