[FOTOS]: Carnaval da Cultura se destaca pela diversidade de artistas e blocos do Ouro Negro


Integrando o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, o Carnaval da Cultura, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), mostrou que, de fato, O Mundo se Une Aqui – tema adotado para a folia do samba, das batidas dos blocos afro, do balanço do reggae e do toque dos afoxés, evidenciaram as razões que levaram a Bahia a atrair olhares de todo o mundo. Nos vários ritmos que se misturaram no Carnaval do Pelô, nos encontros entre artistas do Brasil e nomes internacionais, e no colorido das ruas entre as bandas, grupos, microtrios e nanotrios. Destacou-se o caráter democrático e diverso deste que é o maior evento popular do planeta.

Para a secretária de cultura do estado, Arany Santana, “o mundo se une na Bahia pela diversidade étnica e cultural que existe aqui. Por ser esse estado único, ele atrai muita gente durante o carnaval, e todos sentem o acolhimento dessa terra que é mãe”, diz.

Centro da diversidade – Ao longo de cinco dias de festa, foram somadas aproximadamente 400 horas de apresentações de música e performances entre as 130 atrações que movimentaram os palcos e ruas do Carnaval do Pelô. A programação tem atraindo milhares de foliões para este que é considerado o melhor circuito para quem busca curtir ritmos diversos com maior tranquilidade e segurança, sem sair do clima de descontração, agito e alegria característicos do carnaval. Entre cantores, músicos e performers, foram cerca de 1.100 artistas envolvidos para fazer a folia acontecer, entre estes, aproximadamente 400 artistas de rua, que fincam no Pelourinho a sua tradição.

“Podemos dizer e reafirmar que o Pelourinho faz o carnaval cultural da Bahia, mostrando a diversidade e shows de qualidade. Com uma variedade surpreendente de ritmos, de hits para o folião curtir e usufruir. É também um diferencial do Pelô o seu público, crítico, consciente, maduro e com suas convicções do que quer ver, o que contribui para tornar uma festa que todos podem curtir com paz e tranquilidade”, explica a secretária Arany Santana.

O palco principal, no Largo do Pelourinho, em muitos momentos se tornou espaço de empoderamento de mulheres, negros e da população LGBT, mostrando que a diversidade da qual se fala que o Carnaval do Pelô evidencia e valoriza, vai muito além dos ritmos. Na abertura, que aconteceu na sexta-feira (01), o público presenciou a união de gerações de mulheres negras, que através da música preservam um legado de resistência e ancestralidade. A voz que abriu os trabalhos foi a da cantora Márcia Short, uma das figuras mais representativas do carnaval baiano. Embora tenha na bagagem a conta de 30 carnavais, destes, 25 no Pelô, esta foi a primeira vez da artista na abertura da folia. A noite foi coroada também com a apresentação de um trio de mulheres que representam uma geração de cantoras, compositoras e instrumentistas do samba de roda do Recôncavo Baiano. Foram elas Maryzélia Santos, Dona Chica do Pandeiro e Mestra Ana, que levaram ao público o “Samba das Yabás”, abrindo as apresentações do Projeto Três Artistas, promovido pela SecultBA via chamamento público e que neste ano selecionou 12 shows para o palco principal.

Reforçando que o mundo se une aqui, o Carnaval do Pelô também fortaleceu conexões entre a Bahia e o berço de nossa cultura, o continente africano, recebendo convidadas internacionais, ainda por meio do projeto Três Artistas. No domingo de carnaval, o Largo do Pelourinho lotou para o encontro da banda camaçariense Afrocidade com a cantora baiana Majur e a angolana Titica, considera mundialmente uma das grandes representantes do ritmo Kuduro. Outra marca importante da apresentação foi fazer subir ao palco principal duas artistas trans, reforçando o discurso de representatividade. Na mesma noite, o Pelô foi palco de mais um encontro da música negra mundial, a Blackfolia World Black Music, dos artistas baianos Daúde e Dja Luz, e da nigeriana Okwei Odili. O repertório uniu música cubana, jamaicana, nigeriana, estadunidense e brasileira.

A história do carnaval foi contada através de shows como o Baile de Autor, encontro entre Jorge Zarath, Manno Góes e Tenison Del Rey. Os três são autores de músicas que se tornaram hits através de artistas como Netinho, É o Tchan, Banda Mel, Márcia Short, Chiclete com Banana, Ricardo Chaves, Olodum, entre outros, e este passeio por suas carreiras se mistura com a própria trajetória do carnaval. Assim como os carnavais de época, das marchinhas e bailinhos, foram atualizados por shows como do Bailinho de Quinta, junto a Ivan Sacerdote e MorotóSlim, e o Pelô Brasil, projeto que uniu Janaína Carvalho, Pedro de Rosa Moraes e Lala Carvalho.

A união e colaboração entre cantoras que representam as histórias de empoderamento e resistência das mulheres negras foi o destaque da noite final do Carnaval do Pelô. Os shows Aya Bass e Lindas Pretas Carnavalizando reuniram, respectivamente, Larissa Luz, Xênia França e Luedji Luna; e Nara Couto, Ellen Oléria e Paula Lima. Outros grandes encontros que marcaram os cinco dias de folia foram entre Ganhadeiras de Itapuã, Seu Regi e Grupo Botequim, comemorando os 15 anos do grupo formado por mulheres; as Três na Folia, com Claudia Cunha, Manuela Rodrigues e Sandra Simões; o Musical de Carnaval com Denise Correira, Hugo Sanbone e Diogo Lopes Filhos; e um encontro entre expoentes da nova geração, com a pernambucana Duda Beat, representante da “sofrência pop”, o rapper baiano e gay Hiran, que traz no repertório reivindicações de direitos das minorias, e a baiana radicada no Rio de Janeiro, Illy, representante da música popular brasileira.

Orquestras, bailes infantis e atrações do estilos samba, axé, reggae, hip-hop, antigos carnavais, guitarra baiana e arrocha, também selecionadas via chamamento público, movimentaram os cinco dias de folia nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro d’Água. O fortalecimento da cultura hip-hop foi uma característica marcante desta edição do Carnaval do Pelô, que ampliou o número de atrações do segmento, contando com a banda feirense Roça Sounds, a ilheense OQuadro, e os soteropolitanos Negro Davi e da banda Opanijé. Mais artistas de fora da capital participaram da folia no Centro Histórico de Salvador, entre eles o grupo de samba Circuladô, de Euclides da Cunha, os artistas consagrados no reggae, Dionorina, de Feira de Santana, e Sine Calmon, de Cachoeira, e ainda o Samba Chula de São Braz, de Santo Amaro.

Todo mundo sabe que a nostalgia é uma das marcas do Carnaval do Pelô, devido à força que tem a folia nas ruas com os bandões e as bandinhas de percussão e de corda percussão, além das performances e dança. Dia e noite, o colorido e musicalidade era espalhado pelas vielas e ladeiras do Centro Histórico, os agrupamentos percorreram, no total dos cinco dias de folia, mais de 200 km. Pra completar, o carnaval dos microtrios e nanotrios passou a ocupar de vez o Pelourinho, foram realizadas 10 apresentações no Terreiro de Jesus, apostando em repertórios de clássicos do carnaval, aspectos cênicos e muita animação. O público conferiu e aprovou os microtrios com Los Cuatro, Banda Marana, Verlando Gomes e Rural Elétrica, Maíra Lins no Boteco Elétrico, Ivan Huol e Banda Microtrio, Sylvia Patrícia e Tuk Tuk Sonoro, e o BaianaFolia; além dos nanotrios Bicicletrio Toca Raul com banda Arapuka, Coletivo di Tambor com Mamah Soares, e o Pelô Bossa Reggae, com Banda Estylo Candeal.

CARNAVAL OURO NEGRO – Uma rainha africana veio para o Carnaval da Bahia. Não, não era uma fantasia de carnaval, mas sim a mais alta representação da República Democrática do Congo, a rainha Diambi Kabatusuila que saiu de Kinshasa, capital e maior cidade do país onde reina e veio participar da festa junto ao afoxé Filhos do Congo, que comemora 40 anos. Este é um exemplo da força e da beleza com o qual desfilaram as dezenas de blocos e agremiações que contaram com apoio do Edital Carnaval Ouro Negro 2019, promovido pelo Governo do Estado da Bahia.

Mais de 40 mil foliões associados com fantasias, brilhos e mostrando toda atitude, resistência das comunidades populares, ancestralidade do povo negro, força das religiões de matrizes africanas e dos ritmos originalmente afro-brasileiros. “O Ouro Negro é uma iniciativa do governo do estado, fruto dos clamores do movimento negro da Bahia. O governo investe para manter nas ruas a diversidade que é o grande diferencial do Carnaval da Bahia”, afirma a secretária de Cultura do Governo da Bahia, Arany Santana. Para 2020, a secretária anuncia uma avaliação do desempenho do edital neste ano para propor melhorias e acolher ainda mais entidades. “Queremos que mais entidades possam ser apoiadas pelo Carnaval Ouro Negro no ano que vem. Vamos aperfeiçoar o edital pra levar ainda mais brilho e beleza dos blocos afro pro nosso Carnaval”, relata a secretária.

Arany acredita que a maior contribuição do Programa Ouro Negro para o Carnaval de Salvador é a pluralidade de estilos das entidades de matrizes africanas, com reggae, samba e afoxés. “São 12 anos apoiando a manutenção da diversidade para os três circuitos da festa. Algumas entidades mantém sua longevidade também por conta deste apoio”, avalia Arany.

Datas Comemorativas – 2019 foi um ano emblemático para vários blocos afro e de samba e todos comemoraram com muito estilo e beleza nas suas passagens pelo Carnaval. O afoxé Filhos de Gandhy completou 70 anos, mantendo a tradição de ser o tapete branco da avenida, trazendo ouro para a folia e fazendo homenagem a Tempo, entidade que rege o caminhar, as decisões e o destino das pessoas. E foram mais de seis mil associados, acompanhando o bloco em três dias na festa. Foliões como o cientista social Ademário Souza Costa, 44 anos, que desfila com o bloco desde a infância: “Desde pequeno eu pensava que ser baiano era sair no Gandhy e torcer pelo [Esporte Clube] Bahia”, disse Costa que é neto de um adepto do Candomblé, cresceu ouvindo oficinas de atabaques e agogô em casa e este ano trouxe o filho João Miguel Cândido Costa, 15 anos, que pretende prosseguir com a tradição da família.

Já o Mais Belo dos Belos completou 45 anos, exaltando a importância das canções criadas por compositores baianos para o bloco. Como tema deste ano, o Ilê relembrou a música “Que Bloco é Esse”, criada por Paulinho Camafeu, em 1975. “Somos o primeiro bloco afro e há 45 anos ininterruptos estamos desfilando no carnaval mesmo com toda dificuldade que a gente enfrenta. Então é hora de celebrar as conquistas que acompanham o surgimento do Ilê Aiyê, essa transformação que a cidade sofreu na musicalidade, na estética, no resgate da autoestima do povo negro e, sobretudo, no despertar desse sentimento de negritude”, disse Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, presidente do bloco. No desfile da segunda-feira, no Campo Grande, o bloco convidou o ator e diretor Ângelo Flávio, um ativista da causa negra, para recitar versos de canções emblemática da história do Ilê Aiyê.

“As Duas Histórias – O Perfume das Rosas e Olodum” foi o tema da comemoração dos 40 anos do Olodum. “A temática escolhida pelo bloco representa a leveza do amor e da gentileza que sabemos praticar. É uma resposta ao momento que vivemos. Ao longo desses anos, foi esse perfume, esse aroma que nos fortaleceu e sempre marcou essa tradição dos tambores associada a letras de protesto”, diz Arany Santana ao falar da importância do bloco e sua essencial presença no Carnaval Ouro Negro.

O Alerta Geral, a Didá e a Mulherada também tiveram datas importantes, os três blocos fizeram 25 anos em desfiles cheio de vida, cor, dança, percussão e samba. “Ver esse tapete branco comemorando as bodas de prata é emocionante demais. Fruto de um trabalho de toda diretoria do bloco pioneiro a trazer o samba para o trio no Carnaval”, relata Zé Arerê, como é chamado José Luis Lopes, presidente e fundador do bloco.

Presença Feminina – As mulheres negras mostraram toda força e beleza durante a festa. No comando de agremiações, comandando percussão, organizando as alas e fazendo as coreografias, a presença feminina foi marcante no Carnaval Ouro Negro. O bloco A Mulherada que abriu a folia na quinta-feira (28/03) e a Didá, que desfilou sábado (02/03) e segunda-feira (04/03), mostraram o quanto as mulheres estão na linha de frente e trazem potência e beleza para a Avenida.

Além de organizar e curtir a folia, as mulheres não deixam de usar o espaço para fazer alertas importantes contra o machismo. “’Tocar pode, bater não’ é um slogan para a gente. Para nós, é fundamental também trazer para rua uma música anti-baixaria e combater a violência”, conta Paula Érica, diretora administrativa do bloco A Mulherada.

Samba – Importante destaque do Carnaval Ouro Negro 2019 foi o samba, presença marcante na folia, em blocos como: Alerta Geral, Reduto do Samba, Alvorada, Abuse e Use e Axé Dadá. “O carnaval sem samba não existe. Já é tradição. Quando fundei o Pagode Total, foi com inspiração no Alerta Geral e são 20 anos de muita alegria”, diz Cumpadre Washington. A Madrinha do Alerta Geral, a atriz Solange Couto, que há 12 anos desfila no bloco, elogia: “No auge dos meus 62 anos posso dizer que desfilar com o Alerta Geral é um orgulho. O bloco vem bravamente fortalecendo o samba, as origens e isso é o mais importante”.

Nomes de peso no samba nacional desfilaram com os blocos apoiados pelo Ouro Negro, como Xande de Pilares, no Alerta Geral, Nelson Rufino no Amor e Paixão e Xanddy do Harmonia do Samba no Reduto do Samba. Para Xanddy, estes blocos são essenciais para a folia por trazerem o samba com a tradição afro-brasileira. “A toda cultura africana, meu respeito e admiração. Nossa cultura, nossas raízes vem daí”, disse o cantor.

Folia nas mídias – Na era das selfies e compartilhamentos, a SecultBa não deixaria de mobilizar seus perfis nas redes sociais com a cobertura em tempo real das principais atrações que passaram pelas ruas e palcos do Pelô e os blocos apoiados pelo Carnaval Ouro Negro. Duas equipes trabalharam simultaneamente para alimentar com fotos e vídeos a produção realizada por fotógrafos e jornalistas durante os seis dias de festa. Com enfoque na cobertura do folião, histórias de Carnaval foram trazidas à tona através de publicações no Instagram (https://goo.gl/rR8xtx), Twitter( https://goo.gl/EqzPyV), Facebook (https://goo.gl/EDJSD5) e Flickr (https://goo.gl/6c7RT5), alcançando milhares de seguidores de forma orgânica.

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui! Confira mais fotos no Flickr: https://goo.gl/6c7RT5