[ITAPETINGA-BA]: Ativistas denunciam que empresa chinesa não acatou MP e temem nova barbárie contra jumentos


Animais mortos são jogados em cima dos vivos 

O caso chocou todo o Brasil. O vídeo gravado por ativistas mostrando jumentos, inclusive fêmeas prenhas e filhotes, agonizando até a morte, por falta de água e comida, é uma vergonha para o ser humano. A cidade de Itapetinga, antes conhecida como “terra do gado forte”, protagoniza hoje uma história repleta de terror, barbárie e omissão do poder público. .

No último dia 7 de setembro, ativistas em defesa dos animais, ligados à Frente Nacional em Defesa dos Jumentos, em parceria com a organização SOS ANIMAIS DE RUA, de Itapetinga, entregaram nas mãos do governador Rui Costa, um requerimento pedindo providências contra as crueldades infringidas aos jumentos, fato este denunciado em primeira mão pelo Blog do Caique Santos, desde o dia 07 de agosto deste ano.

O Ofício pede “o fornecimento urgente de alimento, água e medicamentos para os animais; Direcionamento dos animais para um santuário; Favorecimento de transito livre de protetores e integrantes de Entidades de Proteção Animal no local onde estão os animais para averiguação das condições; Tratamento veterinário para os animais e averiguação de irregularidade quanto a atividade desenvolvida pela empresa no que tange ao confinamento dos jumentos”

[CENAS FORTES]: VÍDEO MOSTRA ANIMAIS AGONIZANDO ATÉ A MORTE POR FALTA DE ÁGUA E ALIMENTO

ATIVISTAS DENUNCIAM QUE EMPRESA NÃO CUMPRIU DETERMINAÇÕES DO MP

Jumento agoniza morrendo de fome

Na última quinta-feira (06), uma equipe coordenada pela ativista Gislaine Brandão, da Bicho Feliz, junto com membros da SOS Animais de Rua, visitou a fazenda em que os jumentos estavam presos e constataram que a empresa chinesa segue desrespeitando o que foi determinado pela Adab e Ministério Público.

A empresa deveria ter retirado da fazenda os animais doentes, as fêmeas prenhas e os filhotes, para que fossem atendidos por médicos veterinários, mas segundo Rebeca Almeida da SOS ANIMAS DE RUA, nenhuma das medidas exigidas pela Adab e MP foram obedecidas. “Mesmo com a Polícia Civil tendo instaurado o inquérito e a Adab tendo sido notificada, estava acontecendo justamente ao contrário. A questão dos maus tratos ainda estava resistente, encontramos muitas fêmeas que abortaram no local, muitos fetos espalhados pelo local, muitos animais agonizando, não encontramos nenhum veterinário no local, os animais mortos sendo despejados em cima dos vivos, foi uma cena de terror que a gente encontrou ali”, denuncia Rebeca.

“O que queremos saber agora é como essas empresas que mantém contrato com o frigorífico, como elas serão fiscalizadas, qual a real procedência desses animais? E essa empresa chinesa, o que garantirá que não vai arrendar outro local, mais afastado e cometer as mesmas irregularidades?”, questiona.

JUIZ INDEFERIU POR DUAS VEZES PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS ABATES

Apesar do evidente crime ambiental, repleto de provas em vídeo e depoimentos colhidos pelo MP e Polícia Civl, o Juiz Alerson do Carmo Mendonça, da Comarca de Itapetinga, indeferiu por duas vezes o pedido de liminar para suspensão imediata do abate. “Foram tomadas medidas emergenciais pelas autoridades administrativas, razão pela qual mantenho, por ora, a decisão primeira”, alegou o juiz. (Clique aqui e leia o primeiro pedido)

O Deputado Federal Ricardo Izar também protocolou um ofício ao Ministro da Agricultura Blairo Maggi, pedindo a interrupção do abate dos jumentos. “Resta claro que a inexistência de documentação comprobatória (laudos laboratoriais oficiais) da sanidade destes animais (negativos para Anemia Infecciosa e Mormo, p.ex.), torna consequentemente impraticável e inadmissível a emissão das Guias de Transporte Animal (GTAs) dos mesmos – documento este fundamental e obrigatório para o encaminhamento dos animais para abate nos frigoríficos envolvidos”, diz o Ofício, que também não foi atendido pelo governo federal.

O documento detalha a forma criminosa em que se deu o confinamento dos jumentos,”jogados à própria sorte, em terreno baldio, desprovidos de insumos básicos como alimento e água, sujeitos a evidentes maus tratos, cujas carcaças de animais moribundos ou já falecidos decompõem-se e apodrecem às margens de leito aquífero local (p.ex., o Rio Catolé), propiciando a proliferação de pestes e contaminação ambiental do seu entorno – uma clara violação de diversos artigos da lei federal 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais)”

EMPRESA 

Os animais pertencem à empresa chinesa Cuifeng Lin e são levados para o local antes de serem encaminhados para um frigorífico, onde são abatidos. Em seguida, a carne é exportada para o Vietnã. Com a interdição, a empresa foi impedida de levar novos jumentos para a fazenda, mas permitiu que os que lá estavam fossem para o abate.

A Fazenda Barra da Nega tem 7 hectares, mas chegou a abrigar mais de 800 animais simultaneamente. Mais de 2 mil foram abatidos em um mês. A propriedade foi alugada em junho. Os animais começaram a ser levados para o local em julho. No entanto, segundo as autoridades, o espaço não é apropriado para a criação dos jumentos.

De acordo com informações da Polícia Civil, durante as investigações foram encontrados 80 carcaças e dezenas de ossadas de jumentos. Mesmo assim, a polícia estima que um número maior de animais morreu no local.  “É uma área pequena, que mede 7 hectares. E, no dia que foi feita a fiscalização, havia 657 animais. No dia seguinte, chegaram mais 150 animais. A concentração de animais era muito alta. Também foram recolhidas cerca de 80 carcaças de animais mortos e havia muitas ossadas. A gente estima que cerca de 200 animais mortos ou mais”, disse o coordenador regional da Polícia Civil, Irineu Andrade.

Segundo a Adab, não há autorização para manter os jumentos no local. Por conta disso, a empresa chinesa foi multada em cerca de R$ 25 mil. Além disso, até que o problema seja resolvido, o órgão deixou de emitir guias de trânsito para que os jumentos sejam levados para o frigorífico.

O Frigorífico Sudoeste, responsável por abater os animais, se comprometeu a suspender a operação até que a empresa chinesa resolva as irregularidades. “Estamos rescindindo o nosso contrato com a empresa porque, agora, ela tem que resolver o problema dela com a Adab, com a Vigilância Sanitária, para que, depois de regularizada, ela possa voltar a abater. A partir deste momento, o Frigorífico Sudoeste não vai mais abater animais dessa empresa, até que ela se regularize”, disse Eder Rezende, sócio do frigorífico.

Redação BCS com informações do G1