Tarifas de água e esgoto sobem mais que a inflação; Embasa é a segunda mais cara do Brasil


Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

As tarifas de água e esgoto subiram duas vezes mais que a inflação total no acumulado de janeiro de 2016 a agosto de 2018. De acordo com levantamento feito pela Proteste, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desses serviços avançou 34% no período, enquanto a inflação subiu 11%. Em alguns Estados, as tarifas chegaram a dobrar de preço.

O estudo da Proteste analisou tarifas de 23 companhias de saneamento em 19 Estados brasileiros. O maior reajuste foi constatado na Sanepar, que atua no Paraná. O valor repassado ao consumidor aumentou 126% em um período de dois anos e meio. Em segundo lugar, está a Embasa, da Bahia, com alta de 107%. Nos dois casos, o reajuste foi direcionado aos consumidores da menor faixa de consumo, ou seja, aqueles que consomem menos volume de água.

Água, esgoto e condomínio
Por outro lado, o levantamento constatou diminuição das tarifas em algumas companhias. Foi o caso das mineiras Copasa e Cesama, que reduziram os valores em, respectivamente, 66% e 50%. A reportagem tentou entrar em contato com as empresas, mas não obteve resposta. A Arsae-MG, agência reguladora de saneamento de Minas Gerais, afirmou que o reajuste é resultado de um política de redução das tarifas das menores faixas de consumo.

De acordo com a Proteste, o aumento acima da inflação apontado no levantamento é resultado do que considera como “falta de critério” das companhias. Segundo a associação, a variação nos reajustes ocorre, pois “cada órgão regulador estadual (ou municipal) avalia o percentual de aumento de uma forma, assim, no mesmo ano, vemos autorizações para aumentos muito discrepantes entre as companhias”.

A Sanepar alegou que a alta ocorreu por conta de altos investimentos, que teriam sido de aproximadamente R$ 5 bilhões nos últimos sete anos. “A recomposição tarifária implementada visou assegurar o equilíbrio econômico-financeiro da companhia, considerando o programa de investimentos realizado”, disse, por meio de nota. A empresa afirmou, ainda, que, se consideradas todas faixas de consumo, o reajuste aplicado foi de 2016 a 2018 foi de 26%. A Embasa afirmou que “a metodologia adotada pelo Proteste é desvinculada da estrutura de cobrança da empresa e, portanto, não condiz com a realidade”. A companhia alega que a tarifa para a menor faixa de consumo era de R$ 23 em janeiro de 2016 e passou para R$28,60 em agosto de 2018, o que representa um aumento de 24%. (ESTADÃO)