[Covid-19]: Conquistenses lotam supermercados para estocar alimentos


Nesta terça-feira (17) conquistenses lotaram os supermercados para garantir o abastecimento em caso de uma futura escassez gerada pela pandemia do Covid-19. De acordo com uma funcionária do Assaí Atacadista, desde o início desta semana que a corrida às compras começou.

“Achamos que o cenário aqui no Brasil vai ficar pior do que na Itália”, Mafra, estudante de DireitoFoto: Caique Santos

 

O estudante de  Direito, Paulo Mafra, tem mantido contato com um amigo que mora na Itália e resolveu estocar alimentos após receber informações diretamente de pessoas que estão vivenciando o dia a dia da pandemia. “Ele me disse que a situação se encontra pior do que está passando nos jornais e que já está bem pesado lá pra todo mundo. O motivo do estoque, pelo menos para mim e minha família, é porque achamos que o cenário aqui no Brasil vai ficar pior do que na Itália, visto que lá tem uma medicina de ponta e o Brasil ainda está caminhando, com vários problemas que a gente sabe, a gente acredita que vai ocorrer realmente um problema muito maior”, acredita Mafra.

O estudante também teme que os caminhoneiros restrinjam suas atividades, afetando o abastecimento. “Acho que os caminhoneiros vão rodar apenas para situações emergenciais, como os demandas hospitalares e de primeiras necessidades. Acredito que haverá paralisação em algum momento, já está sendo discutido inclusive o controle de algumas BR´s e vias no estado da Bahia e outros lugares”, afirmou Paulo.

“Eu não acredito muito nas informações do governo”. Carlos Bastos, empresário. (Foto: Caique Santos)

 

Para  Carlos Bastos, empresário, a atitude de estocar é preventiva. “Eu prefiro prevenir e ir estocando minha alimentação. Os caminhoneiros também são seres humanos, estão sujeitos a contraírem a doença, tanto eles quanto os funcionários de mercado, Eu não acredito muito nas informações que o governo vem prestando devido a várias desinformações e contradições que o governo tem mostrado”;

“Daqui a pouco não vai ter recursos pra buscar de lugar nenhum”, Karine Silva, vendedora (Foto: Caique Santos)

A vendedora Karine da Silva, juntamente com colegas de trabalho, estavam de máscaras e também de carrinho cheio. “Estamos comprando para estocar, com certeza, ainda mais que nós trabalhamos com vendas e temos contato com muitas pessoas de fora, de toda a Bahia, então nosso medo é maior. Todo mundo está fazendo seus estoques em casa e daqui a pouco não vai ter recursos pra buscar de lugar nenhum”, diz

Filas imensas no Assaí nesta terça-feira (17)

 

Setor diz que não há necessidade de estocar

No começo da semana, o presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Fábio Queiróz, alertou a população que não há necessidade de uma corrida aos supermercados. “Não precisa haver correria aos supermercados”, afirmou.

“Estamos massificando a informação e reforçando o apelo de que o consumidor não faça uma corrida desenfreada para as lojas. Não há necessidade disso. A gente gosta de vender, mas esse não é o momento. Agora é hora de evitar aglomerações para que a gente não chegue ao isolamento social, que é o caos e a falência do sistema de saúde”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Supermercados de São Paulo enfrentam desabastecimento

Fábio Queiróz disse que é preciso fazer diferença entre desabastecimento e não reposição. A falta de produtos em prateleiras conforme ocorreu nos dois últimos dias, segundo ele, ocorreu porque não deu tempo de repor os produtos diante da velocidade em que os consumidores pegavam para levar para a casa. “Algumas imagens de gôndolas vazias significam que a gente não tinha condição, de naquele momento, de tirar o produto do depósito ou da central de distribuição para a gôndola. As vezes a gente coloca o produto na gôndola e o consumidor pega como formigas no doce. Claro que vai acabar e vai ficar sem reposição. Não dá tempo”, disse.

O presidente da Asserj disse que a decisão de fazer estoque de alguns consumidores é nocivo, especialmente para a população de renda mais baixa, que fica com menos opção de compra e terá que enfrentar a falta de produtos. “O estoque tem que ser distribuído de forma equânime a toda a população. Se quem tem mais poder aquisitivo comprar muita coisa e porventura tiver um rompimento na cadeia de abastecimento, as pessoas de renda mais baixas podem ficar vulneráveis e desabastecidas”, disse.