Deputado aciona MP contra professora da UESB por postagem que sugere a morte de alunos ricos; Leia nota da UESB


Deputado Carlos Jordy repercute matéria da Jovem Pan em suas redes sociais e afirma que entrou no MP contra a professora da UESB.

 

Uma postagem no Facebook, escrita por uma professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB – repercute na imprensa nacional e levou o deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ)  a acionar o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) contra a docente de Vitória da Conquista (BA).

A professora universitária A. M. A. B., que leciona no Departamento de Ciências Humanas e Letras (DCHL) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), publicou em uma discussão nas redes sociais com a jornalista e ativista política Priscila Chammas, na quarta-feira (10), que “se morresse bastante filhos de ricos, aí sim nivelaríamos de forma mais humana”.

De acordo com outra postagem da professora, ela afirmou que suas palavras foram descontextualizadas.

O comentário da Professora veio em resposta à crítica da jornalista em relação a demora na volta às aulas no estado da Bahia e a pressão de sindicatos para que as escolas particulares retornassem somente quando as escolas públicas também pudessem retornar.

“Eu queria mesmo que abrisse escola pros filhos de rico. E que os pais sem noção se livrasse da chateação que os filhos causam.. E se morresse bastante filho de rico aí sim nivelaríamos de forma mais humana. Que morram então!”, publicou a professora em comentário que posteriormente foi apagado.

Confira trecho da denúncia do Deputado Carlos Jordy protocolada no MP-BA contra a professora da UESB:

A professora é graduada em Letras pela UERJ(1992), Mestre em Língua Portuguesa pela PUC do Rio (1996) e Doutora em Semiologia pela UFRJ (2001). Pós-doutora pelo Programa de Pós -graduaçao em Letras da UFPE(2015).Professora Titular da Cadeira de Teoria da Literatura no Departamento de Ciências Humanas e Letras(DCHL) da UESB; Coordenadora do Grupo de Pesquisa GETED( Grupo de Estudos em Teorias do Discurso); Professora no Programa de Pós-graduação em Letras: Cultura , Educação e Linguagem(PPGCEL_UESB). Atua na docência de Teoria Literária. Pesquisa a literatura de autoria feminina na literatura brasileira moderna e contemporânea , com o viés da Crítica Feminista.

Procurada pela reportagem pelo Blog do Caique Santos, a docente não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta publicação.

UESB EMITE NOTE

Em nota enviada ao Blog do Caíque Santos, a Uesb disse “que todos os seus posicionamentos oficiais, enquanto Instituição de Ensino Superior Pública, são emitidos pelos canais oficiais que dispõe” e que “qualquer pensamento individual dos seus atores sociais não representa, necessariamente, o que sua comunidade acredita, ainda que a Universidade respeite o direito de expressão”.

LEIA A NOTA DA ADUSB

A ADUSB defende que não se desvie a atenção da verdadeira questão em foco, principalmente nesse contexto em que forças que lucrariam com a Reforma Administrativa se aproveitam de toda oportunidade para difamar os servidores públicos. No atual momento da pandemia, com grande número de casos de covid-19 e sem imunização da população, reiteramos posicionamento contrário à retomada de aulas presenciais, pois como ficou evidente em experiências de retomada recentes, tal retorno coloca em risco não apenas a comunidade escolar/acadêmica, mas toda a sociedade. Ainda neste sentido, nos reunimos no dia 8 de fevereiro com o Sindicato do Magistério Municipal Público de Vitória da Conquista (SIMMP), o Sindicato dos Professores do Estado da Bahia (SINPRO) e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) para construção de uma posição conjunta sobre o retorno às aulas presenciais, que resultou na nota a seguir.

Toda vida importa. Infelizmente no Brasil o enfrentamento à pandemia se deu e se dá numa lógica inversa a essa, numa lógica negacionista, de desprezo pela vida, bem representada pelo governo federal de Bolsonaro, mas, infelizmente, reproduzida em maior ou menor grau também por governos estaduais e municipais.

Ultrapassamos a triste marca de mais de 230 mil mortes, com mais de 1 mil mortes por dia, retomando, infelizmente, o patamar de pico de julho/2020[1]. Quantas dessas preciosas vidas poderiam ter sido salvas, não fosse a política negacionista que domina, em maior ou menor grau, as esferas governamentais no Brasil, não podemos precisar. Estamos longe, portanto, de uma situação de “tranquilidade” ou de queda no número de casos.

Apesar disso, o que vemos no Brasil é um movimento temerário de relaxamento das medidas de prevenção e na fiscalização de sua aplicação, situação da qual Vitória da Conquista é um, péssimo, e mal exemplo. Seguindo esse rastro da temeridade, aumenta a pressão pela reabertura das escolas. Um movimento que, ainda que escondido atrás de uma barreira de mães e pais, é evidentemente “puxado” pelo setor privado, sempre de olho primeiro no lucro.

Os defensores da reabertura das escolas se apressam em citar exemplos de países estrangeiros. Contudo, muitos destes países, mesmo estando num estágio mais avançado de vacinação (Alemanha, França, Itália, Reino Unido[2] etc), estão atualmente com suas escolas fechadas. Reflexo da situação crítica de avanço da pandemia e disseminação de novas variantes.

No Brasil a experiência com a reabertura de escolas é escassa, mas, ainda assim, preocupante. O estado do Amazonas foi o primeiro a retomar atividades presenciais em escolas no ano passado, ainda no mês de agosto. Após 20 dias de reabertura das escolas, o estado já registrava 342 (sim, mais de trezentos) profissionais da educação infectados/as com a COVID-19[3],[4]. Apesar das denúncias, nada se fez. O desdobramento disso é o triste e cruel quadro de calamidade que infelizmente aflige toda a população amazonense, vítima das políticas negacionistas e genocidas de governos das três esferas. Mas, vítima também da parcela da população que infelizmente se deixou levar por esse discurso negacionista.

Em Campinas-SP, menos de 10 dias após a retomada de atividades presenciais no estado no dia 25 de janeiro de 2021, ao menos três escolas, curiosamente, particulares, foram tomadas por surtos de COVID-19 e obrigadas a fechar[5]. Pergunta-se quantas pessoas foram infectadas, dentro e fora das escolas, nestes 10 dias, até que o surto fosse identificado.

Talvez por conveniência os defensores da retomada presencial das aulas prefiram citar os exemplos distantes e ignorar a realidade local. O fato é que, numa cidade em que o transporte coletivo está entregue ao caos já anteriormente à pandemia, em que a prefeitura mostra incapacidade de fiscalizar o cumprimento dos protocolos de segurança nos estabelecimentos comerciais de todos os setores, não é possível supor, por maior que seja o nosso otimismo, que não se repetirão aqui em Vitória da Conquista situações tristes como as ocorridas em Campinas-SP ou, muito pior, no estado do Amazonas.

Nós, professores e professoras, e demais trabalhadores da educação, não nos recusamos a trabalhar. Muito pelo contrário. Seguimos trabalhando de forma remota, aliás, muito mais do que o fazíamos no ensino presencial, ao contrário do que dizem os detratores e inimigos da educação. Sabemos que o ensino remoto e suas variações possuem muitos problemas e fragilidades, mas entendemos que mais frágil é a nossa vida, a dos demais profissionais ligados à educação, dentro e fora das escolas, de nossos estudantes e dos nossos familiares. São cerca de 4(quatro) mil professores e em torno de 40 mil alunos, só na educação infantil e ensino fundamental da rede municipal de ensino. Se juntarmos os contingentes da rede estadual e rede particular de ensino, chegaremos a números muito mais expressivos e preocupantes quanto aos riscos de avanço da pandemia do coronavírus.

E não julgamos que nossas vidas são mais importantes de quem quer que seja. Entendemos que o retorno do ensino presencial nas escolas, no contexto negacionista em que vivemos no Brasil, representa a possibilidade de um grave, e absolutamente desnecessário, aumento do risco para toda a parcela da classe trabalhadora que hoje já é obrigada a se arriscar todo dia e que já é a maior vítima dessa pandemia. Não há motivo para, só para atender especificamente aos interesses de lucro do setor privado, correr o risco de agravar ainda mais a situação que já vivenciamos no Brasil. A prioridade deve ser sempre a preservação da vida.

Seguimos trabalhando pela educação!

Escolas fechadas, vidas preservadas!

Retorno presencial, só após a vacinação para todas e todos!

 

Sindicato do Magistério Municipal Público de Vitória da Conquista – SIMMP

Sindicato dos Professores do Estado da Bahia – SINPRO

Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia – APLB

Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – ADUSB