Morte de motoristas de ônibus subiu 62% no auge da pandemia


Trabalhadores que não puderam ficar em casa em nenhum momento da pandemia exercem algumas das ocupações que mais registraram aumento nos desligamentos do emprego por morte no Brasil, segundo um levantamento exclusivo feito para o EL PAÍS pelo Lagom Data, com base em informações do Ministério da Economia.

Frentistas de posto de gasolina, por exemplo, tiveram um salto de 68% na comparação das mortes entre janeiro e fevereiro de 2020, pré-pandemia, e dois dos piores meses da crise sanitária, no início de 2021. Operadores de caixa de supermercado perderam 67% mais colegas no mesmo período. Motoristas de ônibus tiveram 62% mais mortes.

Entre os vigilantes, que incluem os profissionais terceirizados que monitoram a temperatura de quem entra em shoppings centers, houve 59% de mortes a mais. Ao menos 83 professores do ensino fundamental morreram nos primeiros dois meses do ano, contra 42 no ano passado.⁠

Os dados não recolhem só óbitos por covid-19, mas a alta atípica permite usar o conceito de “excesso de mortes” para estimar o peso da covid-19 nas categorias. Mesmo que uma pessoa não morra diretamente da enfermidade da vez, ela pode morrer por outras complicações decorrentes de sua existência, como a falta de vagas no hospital num caso de urgência. Então, o procedimento normalmente usado é calcular a média de mortes esperada para um dado período e comparar esse dado ao total de mortes registradas por quaisquer causas na pandemia.⁠