[OPERAÇÃO CONDOTIERI 2]: PF cumpre mandato de busca na casa de vereador de Conquista


A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira a segunda fase da Operação Condotieri. Foram cumpridos 4 mandatos de busca e apreensão expedidos pela 2a Vara da Subseção Judiciária de Vitória da Conquista, além de medidas cautelares diversas da prisão e cinco mandados de intimação.

A PF recebeu a denúncia de que um dos investigados, o vereador Rodrigo Moreira, estaria tentando , através de intermediários, influenciar testemunhas para que estas mudassem seus depoimentos no processo no qual o vereador é alvo. Nenhuma prisão foi efetuada.

Ouça a íntegra da coletiva de imprensa com o delegado Jorge Vinícius Gobira 

Em 30 de agosto do ano passado, o vereador Rodrigo Moreira foi afastado do cargo, mas retornou atrvés de liminar concedida pela Justiça. Rodrigo é alvo da operação Condotieri, deflagrada pela Polícia Federal. Conforme apontam as investigações, o vereador ofereceu empregos no novo presídio de Vitória da Conquista, que estava prestes a ser inaugurado, em troca de votos e apoio na campanha, quando era candidato em 2016.

As investigações apontam ainda que o vereador utilizou a estrutura de outros órgãos públicos, como o Detran e a Zona Azul, para o mesmo fim, bem como omitiu receitas e falsificou recibos entregues na prestação de contas à Justiça Eleitoral.

Segundo a PF, além do vereador, cerca de 60 pessoas são investigadas por envolvimento no esquema que oferecia empregos em troca de votos. São eles: um ex-presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, o assessor de um deputado federal, um ex-deputado estadual da Bahia, assessores, o ex-diretor do 4º Ciretran de Vitória da Conquista, membros da empresa que administra o novo presídio de Vitória da Conquista, sócios-administradores do consórcio zona azul, além de outros suspeitos. Nenhuma das identidades foi revelada. Ninguém foi preso.

“Foram feitas denúncias no Ministério Público Estadual, no mês de setembro, para ser mais preciso. E então, dei início às investigações. Fomos descobrindo, ao longo do tempo, essa teia da corrupção. A gente descobriu que ele [vereador] não só utilizou o presídio, como também a prefeitura, sem envolver os gestores atuais. Ele conseguiu emprego para cerca de 30 parentes dele”, afirmou o delegado da Polícia Federal, Rodrigo Colbe.

O grupo responde pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, corrupção ativa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica, patrocínio infiel e estelionato.

A Justiça Eleitoral determinou no ano passado, o bloqueio de bens e valores de membros da organização criminosa na ordem de aproximadamente R$ 420 mil, em razão do valor potencial do desvio.

Por meio de nota, a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, que não divulgou o nome do vereador afastado, disse que a Polícia Federal cumpriu ordem judicial para busca e apreensão de documentos, especificamente, no gabinete de um parlamentar.

Operação

A operação Condotieri teve como objetivo o combate a crimes eleitorais cometidos em 2016 e além da Bahia, houve ações da PF no Rio de Janeiro e Mato Grosso.

De acordo com a PF, a operação contou com mais de 100 policiais federais que cumpriram 29 mandados de busca e apreensão, 23 mandados de medidas cautelares e 61 mandados de intimação.

Os mandados foram cumpridos em Salvador, Vitória da Conquista, Itabuna, Wenceslau Guimarães, e Lauro de Freitas, na Bahia, além do Rio de Janeiro (RJ) e Cuiabá (MT).

Dois dos mandados cumpridos na operação foram contra empresários alvos na operação Calicute, que representou a 37ª fase da operação Lava Jato, que em 2016 desvendou esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa em obras do Rio de Janeiro.

Os investigados utilizaram, ao menos, duas empresas de “fachada” para emissão de notas “frias”, que eram utilizadas para a prestação das contas no sistema Zona Azul de Vitória da Conquista.

A operação intitulada Condotieri é uma alusão à obra de Nicolau Maquiavel denominada “O Príncipe”, que cita os “condotieri” (mercenários), que eram contratados pelos governantes da época com o intuito de obter conquistas territoriais na península Itálica do século XVI, utilizando-se de força ilegítima e sem qualquer ética política, sob o argumento de que “os fins justificam os meios”.