Confira na íntegra a nota do Itamaraty, publicada na tarde desta terça-feira (13).
O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã.
O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas.
Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo.
O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã.
Não há registros, até o momento, de nacionais mortos ou feridos.
Desde o fim de dezembro, o Irã vive uma das mais violentas ondas de repressão dos últimos anos. De acordo com a organização de direitos humanos Hrana, cerca de 2.000 pessoas morreram desde 28 de dezembro, quando protestos contra o regime teocrático se espalharam pelo país. O número indica uma escalada recente da violência estatal contra os manifestantes.
As manifestações começaram de forma localizada, impulsionadas pela insatisfação de comerciantes do Grande Bazar de Teerã, afetados pela forte desvalorização do rial e pela inflação crescente. Com o passar dos dias, o movimento ganhou contornos políticos mais amplos e passou a desafiar diretamente o sistema de poder iraniano.
O governo de Teerã não divulga números oficiais de mortos, sejam civis ou agentes de segurança. Ainda assim, o total de aproximadamente 2.000 vítimas já havia sido mencionado anteriormente à agência Reuters por uma fonte ligada ao próprio regime, que atribuiu a escalada da violência a supostos “grupos terroristas”.
A posição brasileira foi divulgada poucas horas depois de uma manifestação pública do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que usou as redes sociais para incentivar os protestos. Em tom agressivo, Trump pediu que manifestantes “tomassem as instituições” iranianas e afirmou ter suspendido reuniões com autoridades do país enquanto a repressão não cessar.
No campo econômico, o relacionamento entre Brasil e Irã é claramente assimétrico. O Brasil exporta muito mais do que importa: em 2024, vendeu cerca de US$ 2,9 bilhões, principalmente em milho e soja, enquanto as importações iranianas somaram apenas US$ 84,6 milhões.
Politicamente, a aproximação de Lula com o regime iraniano já foi alvo de críticas no passado, especialmente no final de seu segundo mandato, quando o então presidente brasileiro estreitou relações com Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente do Irã, figura associada a violações de direitos humanos e a discursos extremistas.
O Brasil erra ao tratar essa crise como “mais um episódio interno”. Quando o número de mortos chega a milhares, o silêncio diplomático deixa de ser prudência e passa a ser conivência. Dá pra defender soberania sem fechar os olhos para massacre.

















