A Prefeitura de Vitória da Conquista anunciou, nesta sexta-feira (30), ajustes pontuais no funcionamento da Zona Azul Digital, durante coletiva de imprensa realizada na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). As mudanças ocorreram após críticas de usuários e reuniões com representantes da Câmara de Vereadores, CDL e Associação Comercial e Empresarial de Vitória da Conquista (Acevic).
Na prática, as alterações se resumem a dois pontos: a ampliação do tempo máximo de permanência nas vagas, que passou de 02 para 03 horas, sem possibilidade de prorrogação, e a redução do valor da Taxa de Pós-Utilização (TPU) apenas para quem realizar o pagamento em até dois dias úteis, após a notificação, com desconto de 50%. Entre o terceiro e o quinto dia útil, a cobrança permanece integral, 60 reais.
Os valores do estacionamento não sofreram alteração e continuam sendo R$ 3,00 por hora para carros e R$ 1,50 para motos.
De acordo com as regras apresentadas, caso o condutor ultrapasse o prazo de cinco dias úteis sem efetuar o pagamento da Tarifa de Estacionamento ou da TPU, a situação passa a configurar infração de trânsito grave, com aplicação de multa no valor de R$ 185 e registro de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação.
As mudanças foram publicadas no Diário Oficial do Município desta sexta-feira e entram em vigor a partir da próxima segunda-feira (2).
Durante a coletiva, a prefeita Sheila Lemos afirmou que os ajustes foram feitos após ouvir reclamações da população, especialmente em razão da presença de clínicas, hospitais e serviços de saúde na região central da cidade, onde o limite anterior de duas horas se mostrava insuficiente em diversos casos. Exemplo: uma pessoa está em uma pequena cirurgia, no dentista ou em espera e isso ultrapassa as 2 horas, seria complicado sair para ir retirar o carro da vaga e colocar em outra.

Sobre as queixas de comerciantes em relação à redução do movimento no Centro, a prefeita negou relação direta com a implantação da Zona Azul Digital. Segundo ela, os meses de janeiro e fevereiro são historicamente considerados períodos de menor fluxo no comércio, em razão das férias escolares, o que explicaria o esvaziamento registrado neste início de ano.
A gestora também destacou que eventuais falhas cometidas pela empresa responsável pela operação da Zona Azul devem ser formalmente registradas na Ouvidoria do Município, que é reconhecida nacionalmente como uma das mais responsivas. De acordo com a prefeitura, é a partir dessas manifestações oficiais que o poder público pode fiscalizar o cumprimento do contrato e até penalizar a concessionária.
Apesar de um representante da Câmara de Vereadores ter participado da reunião realizada na última segunda-feira para apresentar as queixas da população, não houve presença institucional do Legislativo na coletiva desta sexta-feira. Embora tenha sido anunciada previamente a participação do presidente da Câmara Municipal na apresentação das resoluções, ele não compareceu ao evento e tampouco enviou representante.
Durante a coletiva, representantes da CDL informaram que irão orientar comerciantes e colaboradores do setor para que estejam aptos a auxiliar usuários que apresentem dificuldades no uso do aplicativo da Zona Azul, especialmente pessoas com menor familiaridade com ferramentas digitais.
Ainda durante o encontro com a imprensa, a prefeita Sheila Lemos minimizou as queixas de parte da população que afirma não ter aptidão ou conhecimento suficiente para lidar com aplicativos. Ao comentar o tema, a gestora fez uma analogia com o uso das redes sociais, afirmando que, quando o interesse é acessar conteúdos pessoais ou redes como o Instagram, a maioria das pessoas consegue utilizar aplicativos sem dificuldades.
Representantes da CDL e da Acevic reforçaram a importância da Zona Azul para garantir a rotatividade das vagas e fortalecer o comércio local.
Diante dos posicionamentos recentes de vereadores, inclusive por meio de vídeos publicados nas redes sociais, nos quais parlamentares e o próprio presidente da Câmara manifestaram-se contrários à Zona Azul Digital , a ausência de um representante do Legislativo na apresentação oficial das resoluções pode indicar que não há, neste momento, anuência do parlamento municipal em relação às alterações anunciadas pelo Executivo. Ficou uma reticência.
E você, o que achou das mudanças?












