
Investimentos direcionados a ações eficazes de prevenção e tratamento podem evitar 739 mil mortes prematuras no Brasil e acrescentar mais de R$ 1 trilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2050. As estimativas são do recorte brasileiro do estudo A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes, do McKinsey Health Institute, segundo reportagem da Agência Brasil.
O relatório foi apresentado na terça-feira, 6 de outubro, em um encontro de jornalistas da América Latina promovido pela farmacêutica Roche, em San José, na Costa Rica. Os números são projeções condicionadas à adoção das intervenções analisadas, e não resultados já alcançados.
De acordo com o diretor de dados de Saúde do instituto, Brad Herbig, aumentar os recursos não é suficiente. É necessário direcioná-los a medidas respaldadas por evidências científicas e que ofereçam o melhor resultado em relação ao custo.
Prevenção concentra parte importante dos resultados
O instituto avaliou cerca de 300 intervenções voltadas a 90 doenças e 27 fatores de risco. Segundo a pesquisa, essas condições correspondem a 85% dos problemas de saúde que mais atingem a população mundial.
As medidas incluem políticas para desestimular o consumo de álcool e tabaco, proteção de trabalhadores contra poluentes, vacinação com altas coberturas, exames preventivos em pelo menos 75% do público-alvo e acesso a cirurgias e tratamentos no prazo adequado.
No Brasil, o estudo atribui 59% do impacto total a ações de prevenção, em nível populacional ou individual. Muitas delas ocorrem fora das unidades de saúde, o que exige a participação de outras instituições.
Entre as medidas individuais, o relatório destaca a prevenção de doenças cardiovasculares, com monitoramento da pressão arterial, e o enfrentamento da obesidade. No tratamento, aponta o cuidado adequado do câncer, a oferta de medicamentos psiquiátricos e melhorias em equipamentos e insumos médicos.
Projeções para longevidade e economia
O cenário estimado para o Brasil prevê aumento de cinco anos na expectativa de vida, que chegaria a 85 anos. A média de tempo vivido com boa saúde alcançaria 76 anos, nove a mais que a estimativa atual considerada no estudo.
Segundo a pesquisa, cada dólar investido em ações efetivas de saúde poderia adicionar US$ 2,10 ao PIB brasileiro. O retorno econômico seria impulsionado principalmente pela maior produtividade, com redução das mortes prematuras e do adoecimento.
O relatório também projeta, até 2050, redução de 46% nos anos perdidos por mortes prematuras e incapacidade associadas a doenças respiratórias crônicas e a distúrbios de saúde mental. Para doenças cardiovasculares e condições causadas por deficiências nutricionais, a diminuição estimada é de pelo menos 40%.
Desafio na América Latina
Na região, os países investem, em média, 3,7% do PIB em saúde, abaixo dos 7,9% registrados nos países de alta renda, conforme o estudo. Menos de 5% dos investimentos latino-americanos são destinados à prevenção, embora essas ações respondam por 61% das medidas capazes de reduzir mortes prematuras e adoecimento.
A pesquisa alerta para o envelhecimento acelerado da população e para o crescimento do tempo vivido com problemas de saúde. Sem as intervenções recomendadas, esse período pode ultrapassar 12 anos em 2050. As projeções também consideram os impactos esperados das mudanças climáticas.
Com informações da Agência Brasil. A repórter Tâmara Freire participou do evento a convite da Roche Brasil.















