A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) realizou, na noite desta segunda-feira (8), a transferência de parte das tilápias dos lagos da Praça Tancredo Neves para a Lagoa das Bateias. A ação já estava programada pela equipe técnica e teve como objetivo controlar o crescimento da população de peixes no local.
Segundo a Prefeitura de Vitória da Conquista, a medida foi necessária devido à alta capacidade reprodutiva das tilápias, espécie que se reproduz rapidamente e pode atingir a maturidade sexual entre três e cinco meses de vida. Dependendo das condições ambientais, uma única fêmea pode realizar de quatro a doze desovas por ano, liberando entre 800 e 3 mil ovos em cada ciclo.
De acordo com a secretária municipal de Meio Ambiente, Ana Cláudia Passos, as tilápias Saint Peter não faziam parte originalmente da fauna dos lagos da praça e foram introduzidas no local pela própria população ao longo dos anos.
“Todo ano, durante a limpeza realizada pela Semma, as tilápias são transferidas para outros locais. No entanto, alguns ovos e alevinos acabam permanecendo nos lagos e a população volta a crescer. Neste ano, após a troca da ração, percebemos uma reprodução ainda mais acelerada e já havíamos programado a pescaria para manter o controle populacional”, explicou.
Peixes na superfície não indicam falta de oxigênio
Nos últimos dias, imagens de grandes cardumes próximos à superfície chamaram a atenção de frequentadores da praça e geraram questionamentos sobre a qualidade da água.
O médico veterinário e coordenador do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), Aderbal Azevedo Alves, afirmou que o comportamento observado não significa necessariamente falta de oxigênio nos lagos.
Segundo ele, as tilápias são peixes de origem tropical e preferem permanecer em águas mais quentes, próximas à superfície, especialmente durante períodos de temperaturas mais baixas.
“Os peixes podem se manter na superfície em busca de alimento ou por conta da temperatura. Nem sempre isso acontece por deficiência de oxigênio”, explicou.
O especialista também destacou que a coloração esverdeada da água é resultado de processos naturais relacionados à presença de algas, folhas das árvores e matéria orgânica produzida pelas aves que frequentam o local.
Monitoramento diário
A Prefeitura informou que a Praça Tancredo Neves é acompanhada diariamente por servidores da Secretaria de Meio Ambiente e por equipes técnicas responsáveis pelo monitoramento dos animais e da vegetação.
Antes da transferência dos peixes, uma avaliação foi realizada e apontou que todos os parâmetros da água permanecem dentro da normalidade para a manutenção da vida aquática.
A secretária Ana Cláudia Passos ressaltou ainda que a água dos lagos é constantemente renovada e oxigenada por um sistema que utiliza água proveniente do Poço Escuro, circulando por córregos e cascatas antes de retornar aos reservatórios subterrâneos.
Embora o sistema esteja funcionando adequadamente, a Prefeitura informou que pretende realizar melhorias nas cascatas para ampliar ainda mais a oxigenação da água.
População é orientada a não alimentar os peixes
A Semma aproveitou a ocasião para reforçar um alerta aos visitantes da Praça Tancredo Neves: não oferecer alimentos como pipoca, pão ou outros produtos aos peixes.
Segundo os técnicos, cada espécie possui necessidades nutricionais específicas, e a alimentação inadequada pode provocar problemas de saúde nos animais.
Outra recomendação é que a população não introduza novas espécies nos lagos, uma vez que o manejo da fauna é realizado por profissionais especializados, incluindo biólogos e veterinários.
A Prefeitura destaca que a colaboração dos frequentadores é fundamental para a preservação dos lagos e para o bem-estar dos animais que habitam um dos principais cartões-postais de Vitória da Conquista.








