Queiroz foi encontrado pelos policiais em uma casa no bairro Jardim dos Pinheiros, em Atibaia (SP). O local onde o ex-policial militar carioca estava escondido pertencia ao advogado criminalista paulistano Frederick Wassef, de 53 anos.
Advogado de Flávio nas investigações sobre o esquema das “rachadinhas”, Wassef também já defendeu o próprio Jair Bolsonaro.
Hoje, é considerado e um dos conselheiros mais influentes do presidente em assuntos jurídicos – mais até que alguns ministros que despacham no Palácio do Planalto. É por causa dessa proximidade que a operação desta quinta-feira foi batizada de Anjo. O nome é uma referência à forma como Wassef é às vezes tratado por membros da família Bolsonaro
Segundo o delegado da Polícia Civil de SP Nico Gonçalves, que atuou na operação, um caseiro que tomava conta da propriedade disse que Queiroz estava morando na casa há um mês.
Em setembro de 2019, Wassef respondeu com ironia a uma pergunta sobre o paradeiro de Queiroz, dizendo que não era responsável pela defesa do ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj).
Em outubro, mais uma resposta evasiva: “Como é que vou saber (sobre o paradeiro de Queiroz)? Ele tem um CPF e eu tenho outro. A última vez que falei com Queiroz foi quando, após a cirurgia do câncer, liguei para saber se estava tudo bem. E nunca mais falei com ele. Não sei onde está, não tenho informação”, disse Wassef ao jornal O Estado de S. Paulo.
Além da prisão em Atibaia, a operação de hoje inclui mandados de busca e apreensão em outras cidades – todos determinados pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O processo foi colocado sob sigilo, mas ao menos um mandado de busca e apreensão foi cumprido em uma casa no bairro carioca de Bento Ribeiro, na Zona Norte da capital carioca. A casa é onde morava Alessandra Martins, funcionária de Flávio Bolsonaro desde a época da Alerj.
‘Ministro informal’
Quando os policiais encontraram Queiroz no interior de São Paulo, no começo da manhã desta quinta-feira, Frederick Wassef estava bem longe do interior de São Paulo. O advogado foi filmado por equipes de TV em uma casa suntuosa na QL 20 do Lago Sul, em Brasília, um dos endereços mais caros do país.
Ele foi gravado enquanto falava ao telefone, próximo a uma janela. Segundo pessoas que o conhecem, o advogado fica em sua casa no bairro brasiliense durante a maior parte do tempo, embora tenha feito carreira em São Paulo.
Apesar de não ter qualquer cargo no governo federal, Wassef é um frequentador assíduo do Palácio do Planalto – a última audiência formal dele com o presidente da República, registrada na agenda do mandatário, foi no dia 14 de maio deste ano.
Nesta quarta-feira (17), Wassef estava no Planalto para a solenidade de posse do novo ministro das Comunicações, o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN). Os fotógrafos da Presidência da República registraram a presença dele na “área vip” do evento, ao lado do ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Por causa da proximidade com o presidente da República, Wassef é considerado quase como um “ministro informal” ou “ministro sem pasta” dentro do governo Bolsonaro, segundo assessores próximos do núcleo do poder.
Direito de imagemCAROLINA ANTUNES /PRWassef estava no Planalto para a solenidade de posse do novo ministro das Comunicações, o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN)
A visão dele foi levada em consideração em algumas das decisões mais importantes do governo nos últimos meses – em abril, ele e os filhos do presidente chancelaram a escolha de André Mendonça para o posto de Ministro da Justiça e Segurança Pública, após a saída do ex-juiz Sergio Moro do posto.
Wassef, no entanto, nega em público que tenha participado dessa ou de outras escolhas.
“O PR escolhe seus ministros sozinho. Esta história, lenda urbana, folclore de que os filhos de Bolsonaro escolhem os ministros não corresponde à história real. Quem toma a decisão é ele, quando forma sua convicção. Não tem isso de os filhos estarem intrometidos no governo”, disse ele, na ocasião.
Católico praticante, Wassef tem visões políticas próximas daquelas dos Bolsonaros. É a favor de mais rigor na intervenção policial, por exemplo, e se considera um inimigo da esquerda política.
O advogado se tornou amigo do presidente da República e de sua família ainda em 2014, e gosta de dizer que foi a primeira pessoa a dizer a Bolsonaro que ele deveria concorrer à Presidência da República, quando esta ainda era uma possibilidade distante para o então deputado federal.
“Eu não só fui o primeiro a acreditar no Bolsonaro, como fui o primeiro a colocar na cabeça dele a ideia de concorrer à Presidência”, disse ele à colunista Thaís Oyama, do UOL. “Eu tinha acesso à Lava Jato, sabia que iriam ser todos presos. Falei para ele: o senhor vai ficar sozinho e sem concorrência no mercado. Eu previ o futuro”, comenta.
Do caso Adélio à rachadinha
Formalmente, Frederick Wassef assumiu a defesa de Flávio Bolsonaro no caso das “rachadinhas” há um ano – em junho de 2019.
E, já em julho daquele ano, colheu uma vitória ruidosa para o senador: foi do criminalista paulistano o pedido que levou o presidente do STF, o ministro Dias Toffoli, a suspender todos os processos judiciais do país que usavam dados da Receita Federal, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Banco Central sem autorização prévia da Justiça.
A decisão paralisou momentaneamente as investigações do caso das “rachadinhas” – e foi comemorada por Flávio e por Wassef
“A autoridade do Poder Judiciário jamais teve ciência do que estava sendo feito com o Flávio, o que, no caso, foi uma devassa ilegal na sua vida”, disse o advogado ao jornal O Estado de S. Paulo, na ocasião.
“Todo brasileiro tem seu direito sagrado, constitucional, ao sigilo bancário, fiscal, entre outros. Então, se qualquer pessoa quiser investigar qualquer brasileiro, inclusive o filho do presidente da República, é necessário cumprir a lei”, disse.
Direito de imagemSERGIO LIMA/AFPImage captionAdvogado de Flávio nas investigações sobre o esquema das “rachadinhas”, Wassef também já defendeu o próprio Jair Bolsonaro
Além do caso Queiroz, Wassef também defendeu o próprio Jair Bolsonaro em outras ocasiões.
Ele representa o presidente nas investigações envolvendo o atentado contra a vida de Bolsonaro em 2018, por parte de Adélio Bispo, por exemplo. Sobre este episódio, Wassef costuma dizer que é impossível que Adélio tenha agido sozinho – apesar de esta conclusão ter sido reiterada pela Polícia Federal em dois inquéritos diferentes.
O último desses inquéritos foi arquivado nesta terça-feira (16), pelo juiz Bruno Savino, da 3ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG).
No STF, Wassef também representou Bolsonaro no caso envolvendo a deputada Maria do Rosário – em 2014, o então deputado federal disse que a congressista gaúcha “não merecia ser estuprada” por ser “muito feia”. Bolsonaro acabou perdendo a ação. Em fevereiro de 2019, o STF rejeitou mais um recurso dele e o obrigou a pagar indenização de R$ 10 mil à petista, por danos morais.
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