Flávio Bolsonaro admite negociação de patrocínio privado para filme sobre Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter negociado investimentos privados com o banqueiro Daniel Vorcaro para custear as gravações de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As informações foram divulgadas inicialmente pela BBC News Brasil e pelo The Intercept Brasil. Segundo a reportagem, o valor negociado teria chegado a US$ 24 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época.
De acordo com a apuração, cerca de R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025. Com atrasos em parcelas seguintes, Flávio Bolsonaro teria enviado mensagens e áudios cobrando uma posição de Vorcaro sobre os pagamentos pendentes.
Ainda conforme informações publicadas pelo jornal O Globo, o Banco Master teria realizado pagamentos diretos de R$ 2,329 milhões à empresa Entre Investimentos em 2025. A companhia teria sido usada para repasses ligados à produção do filme.
Daniel Vorcaro está preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, instituição que entrou em liquidação pelo Banco Central em novembro. O banqueiro negocia atualmente um acordo de delação premiada.
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Flávio Bolsonaro nega irregularidades
Após a divulgação do caso, Flávio Bolsonaro afirmou que não houve ilegalidade no financiamento do filme e defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Em nota, o senador declarou:
“Mais do que nunca, é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet.”
Flávio também afirmou que conheceu Daniel Vorcaro apenas após o fim do governo Bolsonaro.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro.”
Áudio revela preocupação com atrasos e risco para produção
Na gravação divulgada pela imprensa, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com os atrasos nos pagamentos e afirma que a produção estaria em um momento decisivo.
Trechos do áudio mostram o senador citando possíveis prejuízos à imagem do projeto caso compromissos financeiros não fossem honrados:
“Tá num momento muito decisivo aqui do filme.”
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras renomadíssimos no cinema americano.”
“Agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar.”
“Senão a gente perde tudo, cara. Perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo.”
O senador ainda afirma no áudio que compreendia as dificuldades enfrentadas por Vorcaro, mas que precisava de uma definição sobre os repasses:
“A gente precisa saber o que faz da vida.”
Confira a transcrição completa do áudio divulgado
“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui pro cê ouvir com calma.
Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né, cara.
Não sei como é que vai ser daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí.E você também, eu sei que cê tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda. Você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo.
E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?
Mas enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme.
E como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né?
Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Podia ser muito ruim, né?
Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter o seu efeito elevado a menos um aí, cara.
Então se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz da vida, porque tem muita conta pra pagar esse mês e mês seguinte também.
E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara. Todo contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo.
Podemo dar um toque aí, irmão.
Desculpa o áudio longo aí, tá?
Um abração.
Fica com Deus, cara.”














