Presença dos insetos tem sido relatada principalmente em condomínios e áreas residenciais; especialistas apontam influência do clima e da redução de áreas verdes
Moradores de diferentes bairros de Vitória da Conquista têm relatado, nas últimas semanas, o aparecimento de grupos de marimbondos, vespas e até abelhas em residências, condomínios e áreas urbanas da cidade. Em alguns casos, os insetos permanecem agrupados em paredes, telhados e cantos de imóveis, gerando preocupação entre os moradores.
Embora não haja registro oficial de uma infestação generalizada, a quantidade de relatos nas redes sociais e em grupos de moradores chama a atenção e pode estar relacionada às mudanças climáticas típicas desta época do ano.
Segundo a bióloga e especialista em biotecnologia de abelhas, professora Generosa Souza, o fenômeno é comum nos períodos que antecedem o inverno e também a primavera. A explicação está na busca dos insetos por alimento e abrigo.
“Com a mudança das estações, há redução de recursos naturais em áreas de mata. Ao mesmo tempo, as cidades oferecem frutas, resíduos orgânicos e locais protegidos contra o frio e o vento, tornando-se ambientes atrativos para esses animais”, explica.
Outro fator apontado pela especialista é a fragmentação ambiental. A redução de áreas verdes e a ausência de corredores ecológicos dificultam o deslocamento natural das espécies entre fragmentos de vegetação, fazendo com que áreas urbanas passem a funcionar como rota e local de permanência desses insetos.
Ainda de acordo com a mestre em Agronomia Raquel Maluf, o fenômeno parece estar associado ao enxameamento provavelmente de machos. “Nessas épocas mais frias, com menor alimento, as colônias de vespas costumam declinar e a produzir muitos machos, que não não são fundadores de colônias, de novos vespeiros”, disse ao nosso blog.
A situação pode ser potencializada pelas características climáticas de Vitória da Conquista. A cidade entra em um período de redução das chuvas e de temperaturas mais baixas, especialmente durante as noites e madrugadas, condições típicas do período de transição para o inverno.
Cuidados
Especialistas alertam que a população não deve tentar remover ninhos ou enxames por conta própria. O uso de fogo, fumaça, inseticidas ou objetos para atingir os insetos pode provocar ataques defensivos e aumentar o risco de acidentes. A orientação também é evitar aproximação e manter distância segura de colmeias ou agrupamentos.
No caso de enxames de abelhas em deslocamento, a recomendação é apenas manter distância e aguardar. Muitas vezes os insetos utilizam árvores, muros ou estruturas apenas como ponto temporário de descanso antes de seguir viagem.
Quando houver risco para moradores, escolas, idosos, crianças ou circulação de pessoas, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros ou profissionais capacitados para avaliação e remoção adequada.
Papel ambiental
Apesar do receio que causam, abelhas, vespas e marimbondos desempenham funções importantes para o equilíbrio ambiental. Além de participarem da polinização, muitas espécies atuam no controle natural de outros insetos, contribuindo para a manutenção dos ecossistemas.
Para os especialistas, a convivência segura depende principalmente de informação, prevenção e manejo adequado, evitando ações que possam colocar em risco tanto as pessoas quanto os próprios animais.









