Eleições 2020: Bolsonarismo e PT devem perder protagonismo no Brasil


As duas principais forças políticas da eleição presidencial de 2018 — o bolsonarismo e o PT — chegam à eleição de 2020 com poucas chances de conquistar as principais prefeituras do país.

Numa situação incomum, o presidente Jair Bolsonaro participa do pleito apoiando candidatos avulsos de diferentes partidos, já que ele próprio está sem legenda desde que saiu do PSL, após uma disputa de poder interna com o presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE).

Nas duas maiores capitais do país, Bolsonaro decidiu apoiar candidaturas do partido Republicanos (legenda ligada à Igreja Universal): o deputado federal Celso Russomano em São Paulo, e o prefeito Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, que tenta reeleição. No entanto, pesquisas de intenção de voto indicam que os dois correm o risco de não chegar ao segundo turno. E, se conseguirem, terão dificuldade para vencer os líderes das disputas: o atual prefeito paulistano, Bruno Covas (PSDB), e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (DEM).

O PT, por sua vez, já vem de um péssimo desempenho eleitoral em 2016, ano em que o partido estava fortemente desgastado pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e pelas acusações de corrupção da operação Lava Jato. Há quatro anos, a sigla perdeu 60% das prefeituras que havia conquistado em 2012 (de 630 foi para 256), vencendo em apenas uma capital, Rio Branco (AC). Dessa vez, o PT tem boas chances de chegar ao segundo turno em apenas duas capitais (Vitória e Recife), mas, por enquanto, as pesquisas indicam que os candidatos perderiam no segundo turno.

PT pode iniciar recuperação fora das capitais

Para a cientista política Esther Solano, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o PT ainda sofre as consequências da Lava Jato, que colou no partido a imagem de corrupto. Mais esse não é o único fator que afasta o eleitor da sigla, segundo pesquisa de campo que ela conduz com pessoas que deixaram de votar em candidatos petistas.

“A falta de renovação das lideranças e da cúpula burocrática do partido é uma crítica que ouvimos muito, assim como o afastamento do PT dos territórios, do convívio mais cotidiano com a população. Há um sentimento de abandono nas entrevistas com ex-eleitores petistas”, afirma Solano.

“As grandes capitais, que simbolicamente são um palco, um cenário de visibilidade para os partidos, vão ser de fracasso para o PT nessas eleições. Mas temos que ver como será o desempenho nas cidades medianas e menores, pode ser que aí o partido vá melhor”, pondera.

Segundo o cientista político Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas (Ipespe), o partido deve apresentar recuperação em cidades de grande e médio portes, fora das capitais.

Ele, que monitora pesquisas eleitorais em dezenas de cidades, projeta que o partido deve vencer em ao menos sete municípios dos 95 com mais de 200 mil eleitores (há pesquisas para 88 deles).

Dedo apertando botão 'confirma' em urna eletrônica
Legenda da foto,Para cientista político Antonio Lavareda, PT deve apresentar uma recuperação em cidades de grande e médio portes, fora das capitais.

Desse grupo, o PT lidera (não necessariamente com grande vantagem) em nove — Santarém (PA), Vitória da Conquista (BA), Anápolis (GO), Contagem (MG), Juiz de Fora (MG), Caxias do Sul, São Gonçalo (RJ), Guarulhos (SP) e Diadema (SP) — e está em segundo em outros oito, incluindo aí as capitais Recife e Vitória.

Em 2012, o PT venceu em 17 das cidades com mais de 200 mil eleitores (aquelas em que pode haver segundo turno), resultado que despencou 94% para apenas uma vitória em 2016, quando levou Rio Branco.

“Acho que o PT vai começar um processo de recuperação. Como vem de um patamar muito baixo, necessariamente vai crescer”, afirma Lavareda.

A disputa neste ano, no entanto, tende a ser majoritariamente uma “eleição mantenedora”, afirma ele. Na sua avaliação, a pandemia favoreceu o debate mais pragmático e pode levar à reeleição de até 80% dos prefeitos que tentam um segundo mandato nos 95 maiores colégios eleitorais. Já os nomes da “nova política”, com raras exceções, estão indo mal nas pesquisas.

“A covid-19 deu protagonismo aos prefeitos, objetivou a reflexão, esvaziou as paixões e chamou a política de volta. PSDB, DEM e MDB lideram na maioria das capitais”, analisa Lavareda.

“Chance desperdiçada por Bolsonaro”

No caso de Bolsonaro, Lavareda considera que, ao sair do PSL, o presidente “desperdiçou a chance” de continuar o crescimento que o partido conquistou em 2016 (quando elegeu a segunda maior bancada de deputados federais) e, assim, consolidar uma sigla robusta para a disputa de 2022.

Ele ressalta que, historicamente, o partido que chega ao Palácio do Planalto tende a ter um grande salto no número de prefeituras na disputa municipal subsequente.

Luciano Bivar
Legenda da foto,Bolsonaro brigou com Luciano Bivar, presidente do PSL, e atualmente está sem partido

“O PSDB, que chegou ao poder em 1994 (com a eleição de Fernando Henrique Cardoso), quase triplicou o número de prefeituras em 1996. O PT, por sua vez, mais que duplicou seu número de prefeitos em 2004, após eleger Lula em 2002)”, destacou.

“O PSL, que em 2016 elegeu apenas 0,25% dos prefeitos do país, era para ser o partido que mais cresceria esse ano. Só que o presidente abandonou o PSL e o partido perdeu parte importante do seu significado e da sua narrativa. Virou o ex-partido do presidente, isso não é motivador de voto”, acrescenta.

Para Lavareda, outro problema do bolsonarismo nesta eleição é “a falta de coordenação” das candidaturas de sua base. “O bolsonarismo está disperso entre vários partidos e há capitais em que vários candidatos disputam essa marca. A consequência disso é o enfraquecimento da marca”.

“Em Recife quatro candidatos reivindicaram estar alinhados com o presidente, até Bolsonaro na última semana manifestar apoio à Delegada Patrícia (candidata do Podemos em quarto lugar nas pesquisas, com 14%), mas continua a disputa com os outros candidatos dizendo que eles que são os mais leais ao presidente”, exemplifica.

Lavareda cita também o caso de São Paulo, em que Bolsonaro apoia Russomano, mas há outros candidatos que são do campo bolsonaristas ou de partidos da base do governo, como Arthur do Val (Patriota), Joice Hasselmann (PSL) e Andrea Matarazzo (PSD).

“Se somasse todos esses candidatos, teria um bolsão de votos bastante razoável para tentar chegar no segundo turno”, analisa.

No entanto, embora Bolsonaro esteja se mostrando um cabo eleitoral e um coordenador político limitado nas disputas municipais, a professora Esther Solano (Unifesp) considera que o bolsonarismo pode mostrar bom desempenho nas eleições de vereadores.

“Se é verdade que candidatos apoiados por Bolsonaro nas grandes capitais estão sendo um fracasso nas pesquisas, há pautas bolsonaristas, por exemplo a negação da política e a mobilização do discurso punitivo, que continuam fortes”, afirma.

“Será importante ver as bancadas da bala (como ex-policiais) que serão eleitas. Ou quantos serão eleitos com o discurso religioso, se apresentado como pastores”, disse também

Eleição municipal não é determinante para disputa de 2022

Para os partidos, eleger muitos prefeitos e vereadores pelo país significa ter uma capilaridade maior para a campanha presidencial e as eleições estaduais de 2022. Mas isso não é determinante para os resultados, como ficou evidente na vitória de Bolsonaro em 2018. Para os analistas ouvidos pela BBC News Brasil, o bolsonarismo e o PT continuarão como forças políticas importantes daqui a dois anos.

Ex-presidente Lula durante discurso em assembleia no PT
Legenda da foto,Sigla comandada por Lula ainda terá papel decisivo em 2022, estima especialista

“Bolsonaro só se tornou presidente porque teve uma retórica antissistema. Não acredito que ele dependa tanto de resultados de aliados locais”, nota o historiador Lincoln Secco, professor da Universidade de São Paulo (USP).

“A imprensa brasileira tende a ver a política com os óculos do passado, Bolsonaro não. Veja o (Donald) Trump: todos diziam que ele perderia com facilidade e ele surpreendeu na reta final (da eleição americana, que perdeu para Joe Biden, mas com desempenho melhor do que as pesquisas projetavam). Em São Paulo, Bolsonaro dificilmente terá um aliado eleito, mas Lula, enquanto presidente, jamais elegeu o prefeito paulistano”, reforçou.

No campo da esquerda, Lincoln Secco, que é pesquisador da história do PT, acredita que o partido continuará “indispensável em 2022, tenha ou não candidato próprio”.

Ele diz que é improvável que partidos menores, como PSOL e PCdoB, conquistem mais prefeituras que o partido de Lula. Apesar de a legenda de Boulos estar indo bem nas pesquisas em São Paulo, o professor da USP lembra que o partido elegeu em 2016 apenas 5 prefeitos nos 5.564 municípios brasileiros. Já o PDT e o PSB, na avaliação de Secco, não são legendas com forte identidade de esquerda, mas partidos “pragmáticos”.

“As disputas municipais não necessariamente afetam o cenário nacional. Haddad teve 47 milhões de votos no segundo turno de 2018 depois de ser o petista com o pior desempenho histórico no município de São Paulo dois anos antes”, lembra ele.

“É cedo para saber se Boulos se tornará uma figura nacional. Mas, se a esquerda não tiver uma força política agregadora de votos como o PT foi até aqui, a disputa ficará entre a direita tradicional e o bolsonarismo. Portanto, a questão não é se o PT será substituído e sim se a esquerda será viável em 2022”, disse ainda.

Fonte: BBC-BRASIL

Proclamação da República: Militares e civis se uniram pelo Brasil; Entenda a história


Proclamação da República aconteceu no dia 15 de novembro de 1889 e foi resultado de uma articulação entre militares e civis insatisfeitos com a monarquia. Havia insatisfação entre os militares com salários e com a carreira, além de eles exigirem o direito de manifestar suas posições políticas (algo que tinha sido proibido pela monarquia).

Havia também descontentamento entre elites emergentes com a sub-representação na política da monarquia. Grupos na sociedade começavam a exigir maior participação pela via eleitoral. A questão abolicionista também somou forças ao movimento republicano. Esses grupos se uniram em um golpe que derrubou a monarquia e expulsou a família real do Brasil.

Monarquia em crise

A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, foi o resultado de um longo processo de crise da monarquia no Brasil. O regime monárquico começou a entrar em decadência logo após o fim da Guerra do Paraguai, em 1870, o que resultou da incapacidade da monarquia de atender aos interesses e as demandas da sociedade brasileira.

Uma série de novos atores e novas ideias políticas surgiu e ganhou força por meio do movimento republicano, estruturado oficialmente a partir de 1870, quando foi lançado o Manifesto Republicano. Ao redor das ideias republicanas, formou-se um grupo consistente que organizou um golpe contra a monarquia em 1889.

A crise da monarquia fez com que civis e militares organizassem um golpe para derrubar a monarquia, em 15 de novembro de 1889.[1]
A crise da monarquia fez com que civis e militares organizassem um golpe para derrubar a monarquia, em 15 de novembro de 1889.[1]

Disputas políticas e a consolidação do Exército como uma instituição profissional são dois fatores de peso nessa crise da monarquia. A exigência pela modernização do país fez com que muitos civis e militares enxergassem na república a solução para o país, uma vez que a monarquia começou a ser considerada como incapaz para as demandas existentes.

  • Militares

insatisfação dos militares está diretamente relacionada com a profissionalização da corporação. Depois disso, eles começaram a exigir melhorias em sua carreira como reconhecimento aos serviços prestados no Paraguai. As principais exigências eram melhorias salariais e no sistema de promoção.

Outra forte insatisfação tem relação com o envolvimento do Exército brasileiro com a política. Os militares entendiam-se como tutores do Estado brasileiro e, por isso, queriam ter o direito de manifestar suas opiniões políticas publicamente. Um caso simbólico aconteceu em 1884, quando o oficial Sena Madureira foi punido por mostrar apoio aos abolicionistas do Ceará.

A monarquia também procurou censurar os militares, proibindo que eles manifestassem suas opiniões em jornais e nas corporações militares. Havia também exigências entre os militares para que o Brasil se convertesse em um país laico. Internamente, as insatisfações militares se reuniram ao redor da ideologia positivista.

A partir do positivismo, os militares passaram a reivindicar a ideia de que a modernização que o Brasil necessitava se daria por meio de um governo republicano ditatorial. Assim, eles acreditavam que era necessário escolher um governante que fosse conduzir o país no caminho da modernização e, se necessário, esse governante poderia se afastar das vontades populares.

Leia tambémO que é intervenção militar?

Política e sociedade

A política no Segundo Reinado sempre foi complicada, sobretudo pela briga ferrenha entre conservadores e liberais Essa situação se agravou com a crise de sub-representação de algumas províncias. Na segunda metade do século XIX, o eixo econômico do país tinha consolidado sua mudança do Nordeste para o Sudeste.

A província de São Paulo já havia se colocado como o grande centro econômico do Brasil, mas as elites políticas dessa província se incomodavam pelo fato de que sua representação na política era pequena. Outras províncias economicamente decadentes, como o Rio de Janeiro e a Bahia, gozavam de grande representatividade política.

Essa situação indispôs as elites dessa província com a monarquia, e isso nos ajuda a entender, por exemplo, porque a província de São Paulo teve o maior partido republicano do Segundo Reinado, o Partido Republicano Paulista (PRP).

Havia também sub-representação da sociedade no sistema político. As cidades cresciam e novos grupos sociais se estabeleciam. Esses grupos emergentes demandavam maior participação na política brasileira, e o caminho tomado foi o inverso. Os liberais defendiam ampliação do voto para enfraquecer os conservadores e os grandes fazendeiros, mas os conservadores conseguiram aprovar a Lei Saraiva, em 1881.

Essa lei determinou novos critérios para estipular quem teria direito ao voto e, após sua aprovação, o número de eleitores no Brasil caiu de 1.114.066 pessoas para 157.296 pessoas|1|. Isso correspondia a apenas 1,5% da população brasileira, ou seja, as demandas por participação não foram atendidas e a exclusão existente foi ampliada.

Essas novas elites passaram a ocupar os espaços políticos de outras formas e manifestavam suas opiniões por meio de jornais, associações e manifestações públicas em defesa de causas como o Estado laico|2|. Essa insatisfação com os problemas da monarquia, obviamente, reforçou a causa republicana no país.

Em 1870, foi lançado o Manifesto Republicano, documento que criticava a centralização do poder na monarquia e exigia um modelo federalista no Brasil (modelo que dá autonomia às províncias). Essa manifesto também atribuía à monarquia a responsabilidade dos problemas do país e indicava a república como a solução. O manifesto foi um norteador do movimento republicano no fim do Império.

Outra causa que reforçou muito o movimento republicano foi a defesa da abolição. O abolicionismo mobilizou a sociedade brasileira na década de 1880, e grande parte dos abolicionistas defendia a república.

De forma geral, a socióloga Ângela Alonso resume que a monarquia brasileira se estruturou no seguinte tripé:

  • participação política restrita;
  • escravismo (e exclusão do elemento africano); e
  • catolicismo como defensor das hierarquias sociais|2|.

As décadas de 1870 e 1880 vieram justamente a questionar esse tripé, pois havia demandas por maior participação social, o abolicionismo exigia a inserção do negro na sociedade e o laicismo procurou estabelecer uma sociedade laica.

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Proclamação da República

Havia então insatisfações com a monarquia em diferentes camadas da nossa sociedade. Elites emergentes, militares, políticos, classes populares, escravos eram todos grupos com críticas à monarquia. Todas essas insatisfações, em algum momento na década de 1880, tornaram-se uma conspiração.

Uma das primeiras ações do golpe de 15 de novembro foi a aglomeração de tropas sob liderança de Deodoro da Fonseca no Campo do Santana.[2]
Uma das primeiras ações do golpe de 15 de novembro foi a aglomeração de tropas sob liderança de Deodoro da Fonseca no Campo do Santana.[2]

Ao longo dessa década, as manifestações públicas começaram a se tornar comuns, e críticas ao imperador cresciam. Um atentado contra o carro do imperador em julho de 1889 motivou o Império a proibir manifestações públicas em defesa da república, mas o Brasil estava em um caminho sem volta, pois o grupo de insatisfeitos era muito grande.

Em novembro de 1889, a conspiração estava em curso e contava com nomes como Aristides LoboBenjamin ConstantQuintino BocaiuvaRui BarbosaSólon Ribeiro, entre outros. O que faltava para os conspiradores era a adesão do marechal Deodoro da Fonseca, um militar influente e primeiro presidente do Clube Militar.

Em 10 de novembro, os defensores do golpe contra a monarquia se reuniram com Deodoro para convencê-lo a tomar participação no movimento. Nos dias seguintes, os boatos de que uma conspiração estava em curso começaram a ganhar força e, no dia 14, informações falsas sobre a monarquia começaram a ser anunciadas em público com o objetivo de arregimentar apoiadores.

golpe contra a monarquia seguiu no dia 15, quando o marechal Deodoro da Fonseca e tropas foram até o quartel-general localizado no Campo do Santana. Foi exigida a demissão do Visconde de Ouro Preto da presidência do gabinete ministerial. O visconde se demitiu e foi preso por ordem de Deodoro da Fonseca.

Entretanto, o marechal estava à espera de que o imperador fosse organizar um novo gabinete e, por isso, deu vivas a D. Pedro II e então retornou para seu domicílio. A derrubada do gabinete não colocou fim aos acontecimentos do dia 15, e as negociações políticas seguiram. Republicanos decidiram realizar uma sessão extraordinária na Câmara Municipal do Rio de Janeiro para que fosse realizada uma solenidade de Proclamação da República.

Proclamação da República aconteceu na Câmara, sendo anunciada pelo vereador José do Patrocínio. Houve celebração nas ruas do Rio de Janeiro, com os envolvidos na proclamação puxando vivas à república e cantando A Marselhesa (canção revolucionária produzida durante a Revolução Francesa) nas ruas da capital.

Durante essa sucessão de acontecimentos, foi organizada uma tentativa de resistência sob a liderança de André Rebouças e Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel, mas essa resistência fracassou. O imperador D. Pedro II permaneceu crente de que a situação seria facilmente resolvida, mas não foi assim que aconteceu.

Um governo provisório foi formado, o marechal Deodoro da Fonseca foi nomeado como presidente do Brasil (o primeiro de nossa história) e outros envolvidos com o golpe assumiram pastas importantes no governo. A família real foi expulsa no dia 16 de novembro e, no dia seguinte, embarcaram com seus bens para a cidade de Lisboa, em Portugal.

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Quais foram as consequências?

A Proclamação da República mudou radicalmente a história brasileira. Trocaram-se os símbolos nacionais e novos heróis, como Tiradentes, foram estabelecidos. Além da mudança da forma de governo, o Brasil passou a ser uma nação com poder descentralizado, pois foi implantado o federalismo. Mudanças aconteceram no sistema eleitoral, pois o critério censitário foi abandonado, e foi estabelecido o sufrágio universal masculino para homens com mais de 21 anos.

Com a Proclamação da República, o marechal Deodoro da Fonseca assumiu como primeiro presidente do Brasil.
Com a Proclamação da República, o marechal Deodoro da Fonseca assumiu como primeiro presidente do Brasil.

O Brasil se tornou um Estado laico, e o presidencialismo tornou-se o sistema de governo. A organização da república tomou forma quando foi promulgada uma nova Constituição no ano de 1889. A década de 1890 ficou marcada por ser um período de disputa entre republicanos e monarquistas e deodoristas e florianistas.

Notas

|1| LESSA, Renato. A invenção republicana: Campos Sales, as bases e a decadência da Primeira República Brasileira. Rio de Janeiro: Topbooks, 2015, p. 73.

|2| ALONSO, Ângela. Instauração da República no Brasil. In.: SCHWARCZ, Lília M. e STARLING, Heloísa M (orgs.). Dicionário da República: 51 textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 165.

Créditos das imagens:

[1] Commons

[2] FGV/CPDOC

 

Por Daniel Neves
Professor de História

Eleições 2020: Com discurso moderado Zé Raimundo diz estar “otimista com o resultado do pleito”


 

Com um discurso moderado e humilde, o deputado estadual e candidato a prefeito, Zé Raimundo (PT), diferente do prefeito Herzem Gusmão, não cantou vitória antes do término das eleições, mesmo estando à frente nas pesquisas eleitorais. “Quero parabenizar o povo de Conquista. As eleições são um momento extraordinário na vida democrática.

Zé Raimundo e Luciana votaram às 11h de hoje no Colégio Abdias Menezes.

Apresentamos nossas ideias, nossas hipóteses, nossas diretrizes de governo. Eu acho que foi muito bem recebida as nossas propostas, estou muito esperançoso porque não foram falsas promessas, mas projetos para retomar o desenvolvimento econômico e de participação regional e sobretudo, manter a cidade como referência regional. Estou muito otimista em relação ao resultado do pleito”, afirmou.

VEJA A ENTREVISTA COMPLETA:

Eleições 2020: Candidata sofre tentativa de homicídio; Polícia investiga o caso


A candidata do partido Rede Sustentabilidade, Maris Stella, relatou momentos dramáticos vividos por ela e sua equipe de campanha na noite da sexta-feira, 13 de novembro. Maris Stella e sua equipe foram abordados no bairro Jardim Copacabana por indivíduos armados em uma aparente atentado.

De acordo com as informações da coordenação da campanha, os indivíduos levaram o celular de uma das colaboradoras voluntárias da candidata e tentou executá-las: “Ela entregou um celular pra ele e ele fez um disparo, se virou de costa repentinamente em direção a moto, quando chegou na moto o rapaz que estava pilotando disse, não era pra atirar nessa é pra atirar nela e apontou pra mim”, relatou a candidata.

A candidata disse ainda que 02 disparos da arma falharam e atribuiu isso à proteção de Nossa Senhora Aparecida, sua protetora.

Apesar de a ocorrência ter sido registrada como um assalto, a polícia civil investiga o crime.

OUÇA O RELATO COMPLETO FEITO PELA PRÓPRIA MARIS STELLA:

Eleições 2020: “Estou confiante com a vitória no primeiro turno”, diz Herzem ao votar


Logo no início da manhã deste domingo, 15, o prefeito e candidato à reeleição de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão, compareceu ao Colégio Estadual Abdias Menezes para votar. Acompanhado da candidata a vice-prefeita, Sheila Lemos, Herzem votou por volta das 9 horas.

No local, o prefeito concedeu entrevista à imprensa e se mostrou confiante com a vitória já no primeiro turno destas eleições. “Foram quatro anos de muito trabalho e a população sabe que fizemos muito por nossa terra. Tenho certeza que o povo de Conquista vai reconhecer o empenho e a dedicação da nossa gestão”, destacou Herzem.

Além disso, o prefeito comentou sobre a caminhada até esse 15 de novembro. “Fizemos uma campanha tranquila, propositiva. Vamos esperar agora, democraticamente, o resultado e que Deus abençoe Vitória da Conquista”, afirmou o prefeito.

Logo após, Herzem acompanhou Sheila Lemos ao Instituto de Educação Euclides Dantas, a Escola Normal, onde a candidata a vice-prefeita vota.

Conquista: Ônibus da Atlântico solta roda na Olívia Flores; Prefeitura vai investigar causas do acidente


O mesmo tipo de acidente que culminou na saída da Viação Vitória, aconteceu com a Atlântico Transporte, nova empresa contratada pela Prefeitura na noite deste sábado (14), na Olívia Flores. A roda traseira, simplesmente soltou durante o percurso. Apesar de ter passageiros no momento, não houve feridos.

A prefeitura de Conquista, emitiu uma nota à imprensa afirmando que “o fato ocorrido com um veículo da Atlântico Transporte, na noite de desse sábado (14), está em apuração” e que “o veículo teve uma roda traseira soltada, mas não foi encontrada nenhuma peça danificada que justificasse o incidente. As porcas que tinham a função de prender a roda foram encontradas intactas.”.

A Prefeitura disse ainda que “para retornar para a garagem, bastou recolocar a roda no lugar e apertar as porcas e o veículo voltou a ter condições mecânicas de circulação” e que “o carro passará por uma perícia para apurar as causas”.

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Eleições 2020: Prefeitura diz que ônibus vão “operar em horário diferenciado”


Prefeitura não está fiscalizando distanciamento social dentro dos ônibus, denunciam usuário, que pedem mais carros nas linhas. 

 

Após questionamento do BCS à Semob sobre como ficaria o transporte público no domingo de eleição em Vitória da Conquista, a Secom postou uma nota no site da PMVC,  dizendo que neste sábado (14) e domingo (15), “o transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista vai operar em horário diferenciado” e que “para facilitar o deslocamento dos eleitores e das pessoas que vão trabalhar nas Eleições, todas as linhas de ônibus funcionarão com horários de dias úteis”

Nossa produção solicitou informações sobre o percentual da frota nas ruas e o número exato de ônibus nas principais linhas, mas não fomos atendidos.

A população reclama da pouca quantidade de horários, muita demora de passar os ônibus. Há denúncias e imagens de ônibus com passageiros em pé, desrespeitando o decreto sobre distanciamento social dentro dos coletivos. Usuários e até rodoviários denunciam a situação, mas como as empresas são fiscalizadas pela Prefeitura, a mesma parece estar fazendo a chamada “vista grossa”.

Conquista: Linha de ônibus D36 retorna e a R24 passa a ter horário às 6h


A Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, informa o retorno da linha D36 – Morada dos Pássaros/Uesb.

Já a linha de ônibus R24 conta agora com um veículo operando às 6h. Neste horário, o ônibus sai da Feira da Patagônia, com destino ao Centro Industrial dos Imborés.

AMPLIAÇÃO DE VIAGENS

A Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Coordenação Municipal de Transporte Público, ampliou a quantidade de viagens dos ônibus do Transporte Coletivo Urbano.

As mudanças na operação ocorreram em 41 linhas do sistema.

Clique aqui e confira todos os quadros de horários.

Caminhoneiro ganha ‘Cartão Saúde’ do Ministério da Saúde


O Ministério da Saúde e o Serviço Social do Transporte SEST SENAT lançaram o Cartão Saúde do Caminhoneiro. Em formato digital, a novidade reúne informações clínicas do usuário, como resultados de exames, calendário de vacinas, medicamentos em uso e índices corporais, além de histórico de atendimentos médicos. Segundo informações da Confederação Nacional do Transporte, CNT, com o cartão será possível acompanhar de forma mais eficaz os tratamentos realizados em unidades de atenção primária de saúde.

O documento ficará com o usuário e será utilizado para a coleta de dados de atendimentos realizados em qualquer unidade de saúde. A ação prevê a impressão e distribuição inicial de 500 mil cartões para Estados e municípios. O cartão do caminhoneiro pode ser acessado aqui e o da caminhoneira aqui.

Caminhoneiro com mais acesso à saúde
Secretario de Atenção Primária a Saúde, Rafael Câmara diz que o objetivo é possibilitar a construção de uma política de acesso ao cuidado das populações itinerantes em território nacional. “Sabemos que os caminhoneiros estão, a cada dia, em um local (diferente) do País. É fundamental haver uma política de saúde que os privilegie e tenha um cuidado especial com eles.”

Em 2019, o SEST SENAT atendeu 471,5 mil caminhoneiros em campanhas com abordagens nas rodovias. E também em garagens e postos de abastecimento e nas unidades operacionais espalhadas pelo País. Segundo o SEST SENAT, justamente por estarem em constantemente em deslocamento, eles têm prioridade nos atendimentos prestados nas unidades.

Segundo dados da Pesquisa CNT Perfil dos Caminhoneiros 2019, 99% dos caminhoneiros no Brasil são homens. Menos da metade ( 42%) procuram atendimento médico com foco em prevenção. Outros 38% buscam serviços de saúde somente quando aparecem sintomas de doenças ou quando os sinais se agravam. E 13% sequer procuram profissionais da saúde.

Em 2019 foram mais de 12,8 milhões de atendimentos realizados pelo SEST SENAT a trabalhadores do setor de transporte, seus dependentes e à comunidade. Desse total, 5,7 milhões estão relacionados à saúde e qualidade de vida.

Dos atendimentos destinados a titulares do SEST SENAT (trabalhadores do transporte), 78,5% foram para o público masculino.