Rodoviários anunciam possibilidade de catraca livre no feriado caso impasse com empresas continue em Vitória da Conquista
A crise no transporte coletivo de Vitória da Conquista pode ganhar um novo desdobramento nos próximos dias. Em meio ao impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026-2028 entre as concessionárias Viação Rosa e Atlântico Transportes e o Sindicato dos Rodoviários, o presidente da entidade, Álvaro Silva Souza, informou que, caso não haja avanço nas tratativas até quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi, os ônibus poderão circular com catraca livre, permitindo o embarque gratuito dos passageiros.
Segundo Álvaro Souza, a iniciativa partiu dos próprios trabalhadores como forma de minimizar os prejuízos causados à população pela paralisação do serviço e também como um protesto contra o que a categoria considera ser o silêncio das empresas e da Prefeitura diante da situação enfrentada pelos usuários e rodoviários.
A Prefeitura de Vitória da Conquista informou que acompanha as negociações entre as concessionárias e o sindicato. Durante as tratativas, as empresas apresentaram proposta de reajuste linear de 4,11% nos salários e de 4,11% no vale-alimentação, índice que, segundo elas, acompanha a inflação acumulada e é semelhante ao adotado recentemente em Salvador.
Por outro lado, o Sindicato dos Rodoviários reivindica reajustes salariais entre 6% e 10%, além da redução da jornada de trabalho e outras melhorias para a categoria.
Diante da falta de acordo, o sindicato anunciou paralisações temporárias nos horários de pico nos dias 1º e 2 de junho, afetando a circulação de ônibus no início da manhã, ao meio-dia e às 18 horas. A entidade também sinalizou a possibilidade de deflagração de greve geral a partir desta quarta-feira (3).
Segundo Álvaro Souza, a categoria aguardou até a meia-noite da última sexta-feira (29) uma contraproposta das empresas, mas não recebeu retorno, o que contribuiu para o agravamento do impasse.
Os efeitos da paralisação já atingem diversos setores da cidade. Instituições de ensino chegaram a suspender atividades presenciais devido às dificuldades de deslocamento enfrentadas por estudantes e trabalhadores.
Na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), o Diretório Central dos Estudantes (DCE) encaminhou à Reitoria um pedido para que seja analisada a suspensão temporária das aulas presenciais enquanto persistirem os problemas no transporte coletivo. A entidade afirma que muitos estudantes dependem exclusivamente dos ônibus para chegar ao campus e que a situação se torna ainda mais delicada em razão do período de avaliações acadêmicas.
O DCE também manifestou preocupação com estudantes dos cursos noturnos, que enfrentam dificuldades no retorno para casa e maior sensação de insegurança devido à redução da circulação de ônibus durante a noite.
Apesar da mobilização, o Sindicato dos Rodoviários informou que pretende manter em circulação o mínimo de 30% da frota em cada linha, conforme determina a legislação para serviços considerados essenciais.
A expectativa agora é pela retomada das negociações entre as empresas e os trabalhadores. Caso o impasse permaneça, a operação com catraca livre poderá ser adotada no feriado como forma de garantir o deslocamento da população e aumentar a pressão por uma solução para o conflito.













