MPF investiga ameaça de envenenar água de indígenas em MS

Duas pessoas com adornos de penas e colares junto a uma pequena fogueira ao ar livre. Foto de arquivo.
Foto de arquivo. © Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Foto de arquivo. © Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação sobre uma ameaça de envenenar a água consumida por indígenas em Tacuru, no Mato Grosso do Sul. A denúncia envolve áudios atribuídos a um servidor municipal que circularam após o segundo turno das eleições presidenciais. A prefeitura anunciou o afastamento do funcionário e a abertura de um processo administrativo.

A ameaça teria sido direcionada à Aldeia Sassoró. Segundo documento do Ministério dos Povos Indígenas encaminhado à Polícia Federal e relatado pelo g1, as gravações mencionam a possibilidade de colocar substâncias tóxicas na água utilizada pela comunidade. O próprio ministério informou que não havia comprovação de que a água tivesse sido contaminada.

O pedido encaminhado à PF inclui a verificação da origem e da autenticidade dos áudios, a identificação dos responsáveis e a avaliação de possíveis crimes. O ministério também solicitou a análise de medidas preventivas para proteger os moradores e garantir a segurança do abastecimento.

De acordo com o MPF, a Prefeitura de Tacuru recebeu um ofício com prazo de 48 horas para prestar esclarecimentos sobre as gravações e informar as medidas adotadas para manter os serviços públicos nas comunidades indígenas. O órgão recomendou a abertura de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar caso fossem encontrados indícios consistentes contra servidores municipais.

Ao g1, o prefeito de Tacuru informou que o funcionário citado na denúncia trabalhava na infraestrutura, com caminhão-caçamba, e não na distribuição de água. Também afirmou que a administração estava à disposição para prestar esclarecimentos. A autoria dos áudios e a responsabilidade dos envolvidos são objeto de apuração.

Denúncias incluem outros municípios

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) acionou órgãos federais após receber relatos de ameaças, atropelamentos e outras formas de violência contra indígenas no estado. Segundo a entidade, parte dos episódios teria relação com o resultado das eleições.

Os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial passaram a atuar conjuntamente no levantamento das denúncias, conforme informações divulgadas pela Agência Brasil e pelo g1.

As ocorrências, porém, apresentam situações distintas. Em Naviraí, o MPF informou que imagens de uma tentativa de duplo homicídio decorrente de um desentendimento familiar e interpessoal foram associadas indevidamente a um suposto ataque contra indígenas.

Segundo o órgão, as diligências realizadas nesse caso afastaram motivação política ou étnica. Essa conclusão se refere ao episódio de Naviraí e não encerra as apurações sobre as ameaças em Tacuru ou as demais denúncias.

Na reportagem consultada, o g1 informou que a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul não haviam confirmado mortes relacionadas à violência política. A motivação eleitoral atribuída aos relatos ainda depende da investigação de cada ocorrência.

Fontes: Ministério Público Federal, g1 e Agência Brasil.

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