Petista vence Flávio Bolsonaro com 51,76% dos votos válidos; resultado está matematicamente definido, com 99,83% das seções totalizadas.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Na atualização das 21h21min43s do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,83% das seções totalizadas, Lula somava 64.120.476 votos, equivalentes a 51,76% dos votos válidos, e já não poderia ser ultrapassado.
Flávio Bolsonaro registrava 59.759.548 votos, ou 48,24%. A diferença entre os candidatos era de 4.360.928 votos. O painel da Justiça Eleitoral indicava a eleição como matematicamente definida.
A vitória assegura a Lula seu quarto mandato presidencial, o segundo consecutivo desde o retorno ao cargo, em 2023. Ele já havia governado o Brasil entre 2003 e 2010 e seguirá no Planalto no período de 2027 a 2030.
Os números da votação
Até a atualização consultada, haviam sido totalizadas 498.424 das 499.248 seções eleitorais. Foram contabilizados 128.027.037 votos, dos quais 123.880.024 eram válidos.
Os votos em branco somavam 1.428.437, correspondentes a 1,12% do total. Outros 2.718.576 eleitores anularam o voto, o equivalente a 2,12%.
Nas seções já totalizadas, o comparecimento era de 80,79%, enquanto a abstenção chegava a 19,21%, com 30.437.339 ausências. Embora a disputa já estivesse definida, os totais ainda poderiam mudar com a conclusão da apuração.
De Pernambuco à liderança sindical
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Caetés, então distrito de Garanhuns, em Pernambuco, Lula mudou-se ainda criança para São Paulo com a família. Formou-se torneiro mecânico e trabalhou na indústria metalúrgica antes de construir sua carreira no movimento sindical.
Na década de 1970, ganhou projeção à frente dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, no ABC paulista. As greves durante a ditadura militar o transformaram em uma liderança nacional. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e foi eleito deputado federal em 1986, atuando na elaboração da Constituição de 1988.
Antes de chegar à Presidência, perdeu três disputas: para Fernando Collor, em 1989, e para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Venceu pela primeira vez em 2002, contra José Serra, e foi reeleito em 2006, ao derrotar Geraldo Alckmin.
Primeiro mandato: políticas sociais e crise política
O primeiro governo, entre 2003 e 2006, manteve pilares da política econômica, como metas de inflação e busca de superávit nas contas públicas, ao mesmo tempo que ampliou programas sociais.
O Bolsa Família unificou e ampliou benefícios de transferência de renda. Na educação, o Programa Universidade para Todos (Prouni) abriu acesso a bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior.
A gestão também enfrentou o mensalão, revelado em 2005. O escândalo envolveu dirigentes do PT e partidos aliados, provocou a saída de integrantes do governo e levou a condenações no Supremo Tribunal Federal.
Segundo mandato: infraestrutura, habitação e pré-sal
Entre 2007 e 2010, Lula lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida. O período também foi marcado pelo desenvolvimento da exploração do pré-sal e pela aprovação de regras para o aproveitamento dessas reservas de petróleo.
A crise financeira internacional de 2008 atingiu a economia brasileira. O governo adotou medidas de estímulo ao crédito e ao consumo. Após a retração de 2009, a atividade econômica voltou a crescer em 2010.
Ao deixar a Presidência, Lula foi sucedido por Dilma Rousseff, eleita em 2010.
Prisão, decisões do STF e retorno ao poder
Depois dos dois primeiros mandatos, Lula tornou-se alvo da Operação Lava Jato. Foi preso em abril de 2018 e permaneceu detido até novembro de 2019. Impedido de concorrer à Presidência em 2018, foi substituído na candidatura do PT por Fernando Haddad.
Em 2021, o STF anulou suas condenações ao reconhecer que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos. Em outra decisão, a Corte confirmou a parcialidade do então juiz Sergio Moro na ação do triplex do Guarujá. A anulação das condenações restabeleceu a elegibilidade de Lula.
Em 2022, o petista derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno e voltou ao Planalto após 12 anos, tendo Geraldo Alckmin como vice.
Terceiro governo e nova reeleição
Iniciado em janeiro de 2023, o terceiro mandato teve entre seus marcos a reformulação do Bolsa Família, a retomada do Minha Casa, Minha Vida e do PAC, além de mudanças nas regras fiscais e tributárias.
O novo arcabouço fiscal substituiu o teto de gastos. A reforma tributária sobre o consumo, promulgada pelo Congresso em dezembro de 2023, estabeleceu uma transição para reorganizar a cobrança de impostos no país.
A gestão também enfrentou disputas com o Congresso e cobranças sobre gastos públicos e endividamento. A conciliação entre políticas sociais, investimentos e equilíbrio das contas permanece entre os desafios para o próximo mandato.











