A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (25) com denúncias de falta de transporte que, segundo a coligação, dificultaram o acesso de eleitores aos locais de votação em cidades de pelo menos nove estados. A Bahia está entre os estados citados.
A ação da coligação Brasil Pronto Pra Mais também reúne relatos de São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro. O documento pediu a extensão da votação até as 19h nos locais afetados e a prisão em flagrante de responsáveis por impedir o exercício do voto.
Em decisão posterior, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou a votação até as 19h, pelo horário de Brasília, em todas as seções do Brasil, informou a Agência Brasil. Após a decisão, o TSE determinou a paralisação da totalização dos votos das seções que já haviam encerrado a votação, segundo a agência.
Bahia: fiscalização encontra ônibus nas garagens
Em Salvador, o Procon-BA identificou ônibus parados em garagens durante o segundo turno. O balanço inicial citado na denúncia era de 370 veículos. Em atualização publicada às 17h09, a Agência Brasil informou que o total havia subido para 544 ônibus em cinco garagens, conforme dados confirmados pela Secretaria de Comunicação Social do governo estadual.
O TRE-BA determinou a recomposição imediata da frota da capital, com frequência equivalente à de dias úteis e gratuidade. O presidente do tribunal também ordenou à Polícia Federal a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A ordem de prisão não equivale à confirmação de que tenha sido cumprida.
A Prefeitura de Salvador informou, em nota, ter determinado a liberação de todos os ônibus das garagens, inclusive dos veículos com adesivação considerada propaganda irregular, para facilitar o deslocamento dos eleitores.
O que a campanha relata nos demais estados
Em São Paulo, a denúncia menciona dificuldades na capital e em Guarulhos. Nas redes sociais, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, atribuiu as restrições a uma tentativa de impedir votos em áreas onde Lula venceu no primeiro turno. Trata-se de uma acusação do ministro, não de uma conclusão judicial apresentada na reportagem.
Em Alagoas, a ação relata oferta insuficiente de vans e micro-ônibus intermunicipais, esperas superiores a uma hora e denúncias de cobrança de passagens. Em Pernambuco, cita dificuldades para obter gratuidade no transporte intermunicipal e um relato de impedimento de acesso a ônibus.
Em Roraima, empresas teriam se recusado a cumprir rotas eleitorais, prejudicando o deslocamento de indígenas, segundo a campanha. No Piauí, o documento aponta redução da frota em Teresina e acionamento da Justiça Eleitoral.
Na Paraíba, a coligação menciona ônibus que teriam passado sem parar nos pontos da Zona Sul, além de longas esperas. No Pará, os relatos se referem à Ilha do Marajó. No Rio de Janeiro, são citadas filas e pouca circulação de veículos em Petrópolis e São Gonçalo.
Para sustentar que os problemas não seriam isolados, a campanha apresentou um levantamento que contabilizou 249,7 mil publicações e 848,7 mil interações sobre transporte nas plataformas digitais entre 8h e 13h30. Esses números são citados pela ação e não constituem, por si só, comprovação das irregularidades denunciadas.
Fontes: Agência Brasil, denúncia da campanha; balanço atualizado do Procon-BA; decisão de Zanin.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil. Eleitores em fila em Brasília durante a abertura das seções, em 25 de outubro de 2026.








