Descarte irregular de vidro e perfurocortantes põe garis em risco em Vitória da Conquista

Coletor de resíduos durante serviço de coleta de lixo em Vitória da Conquista
Foto: PMVC/Divulgação

O descarte inadequado de cacos de vidro, seringas e outros materiais perfurocortantes no lixo comum tem colocado em risco os trabalhadores da coleta de resíduos em Vitória da Conquista. Segundo alerta da Prefeitura, materiais jogados diretamente em sacolas plásticas ou sem proteção podem romper as embalagens e atingir os garis durante o recolhimento e o transporte.

De acordo com Dennison Moreira, supervisor da Torre, empresa responsável pela coleta de resíduos, acidentes com materiais cortantes fazem parte da rotina das equipes. “É difícil a semana em que não acontece algum acidente. Às vezes, é quase diariamente”, relatou.

Um dos casos citados pela empresa envolveu um trabalhador que sofreu um ferimento na perna provocado por um vidro colocado dentro de uma sacola. Ele precisou levar 18 pontos. Segundo Dennison, a equipe médica alertou que uma lesão um pouco mais profunda poderia ter comprometido permanentemente a mobilidade do coletor.

O risco aumenta porque os trabalhadores nem sempre conseguem identificar o conteúdo das sacolas antes do manuseio. Durante a coleta, a equipe precisa atuar com rapidez e pode ser surpreendida quando a embalagem se rompe.

O coletor João Vitor Alves afirmou que encontrar vidro solto dentro das sacolas é uma situação frequente. “Encontramos sacolas de lixo com vidro solto com bastante frequência. Algumas pessoas não têm muita noção, mas outras já fazem o descarte correto”, disse.

Segundo ele, os acidentes também envolvem seringas e palitos de espetinho. As mãos e as pernas estão entre as regiões mais atingidas. “Acontece muito da gente rasgar a luva e machucar a mão. Já aconteceu comigo e com colegas também”, relatou.

A coordenadora do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), Fabiana Oliveira, explicou que os garis estão expostos a riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. No caso dos cacos de vidro, os principais perigos são cortes, lacerações e perfurações.

“Quando a população descarta o vidro em uma sacola comum, o trabalhador pode sofrer um corte, uma perfuração ou até uma lesão mais grave, como a amputação de um dedo ou o atingimento de uma artéria”, alertou Fabiana.

Além do vidro, agulhas e bisturis descartados de forma inadequada podem representar risco biológico, já que podem estar contaminados com sangue, pus ou outros materiais. “Nesses casos, além do corte, o trabalhador fica exposto ao risco biológico e à possibilidade de contrair uma doença”, explicou a coordenadora.

Para reduzir os riscos, a orientação é separar os cacos, acondicionar o material em embalagem resistente, fechar bem, identificar o conteúdo e nunca descartar vidro quebrado solto no lixo comum. Quando possível, a população também deve utilizar os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs).

Em Vitória da Conquista, há PEVs no Senhorinha Cairo, Aparecida, Jurema, Santa Helena, Bem Querer, Santa Cecília, Vila América, Urbis 6, Moinho Sudoeste e Campo do Vila.

Fabiana reforça que a prevenção começa com a conscientização da população. “A gente precisa proteger a vida desses trabalhadores fazendo a nossa parte”, destacou. A recomendação é colocar vidros e outros perfurocortantes em caixa ou embalagem resistente e sinalizar o conteúdo com aviso, como “vidro quebrado”.

Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista. Foto: PMVC/Divulgação.

Leia a publicação original da PMVC

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