Sheila Lemos veta trechos de lei que cria Semana de Segurança Pública em Vitória da Conquista

Executivo apontou problemas constitucionais em regras sobre participação obrigatória de escolas, uso de recursos do PPA e criação de comitê com vereadores, Ministério Público e Judiciário

A prefeita de Vitória da Conquista, Ana Sheila Lemos Andrade, vetou parcialmente o projeto aprovado pela Câmara Municipal que institui a Semana Municipal de Segurança Pública Integrada. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município desta segunda-feira (14).

A criação da Semana foi mantida. A programação deverá ocorrer anualmente nos sete dias que antecedem o aniversário de Vitória da Conquista, celebrado em 9 de novembro, com o objetivo de promover a integração entre forças de segurança e outras instituições.

O veto atingiu o inciso I do artigo 2º e os artigos 4º e 5º do texto aprovado pelos vereadores. Os dispositivos tratavam da participação obrigatória das áreas de educação pública e privada, do custeio da programação por meio do Plano Plurianual (PPA) e da criação de um comitê gestor com participação de representantes de diferentes instituições.

Participação obrigatória de escolas

Um dos dispositivos vetados previa atividades educativas, palestras e workshops com participação obrigatória das áreas de educação pública e privada.

Ao justificar o veto, o Executivo argumentou que o Município não poderia impor a participação compulsória de instituições particulares em programações dessa natureza.

“O Município não detém competência para instituir obrigações de comparecimento coercitivo direcionadas à rede privada de ensino, restringindo indevidamente sua autonomia pedagógica e funcional”, afirma o documento.

A Prefeitura também questionou a determinação de participação obrigatória de órgãos da própria administração municipal, como a Secretaria Municipal de Educação.

Segundo a justificativa, estabelecer atribuições e programas de execução obrigatória para secretarias municipais seria matéria relacionada à organização administrativa do Executivo.

Recursos do PPA também foram retirados

Outro trecho vetado determinava que o custeio da Semana de Segurança Pública seria realizado por meio do Plano Plurianual (PPA), priorizando patrocínios privados, parcerias com empresas e recursos dos governos estadual e federal.

Para a Prefeitura, a medida apresentava vício de iniciativa porque decisões relacionadas ao PPA são de competência do chefe do Poder Executivo.

Segundo o documento, ao estabelecer a vinculação de recursos por meio do Plano Plurianual, “a proposição parlamentar invade seara de gestão orçamentária e financeira reservada ao Executivo”.

Comitê com vereadores, MP e Judiciário

O projeto aprovado pela Câmara também previa a criação de um comitê gestor composto por representantes da Câmara Municipal, Ministério Público, Judiciário e forças de segurança. Entre as atribuições estariam a supervisão da aplicação de recursos e a participação na organização de atividades.

Outro dispositivo estabelecia que vereadores participariam do comitê de seleção de premiações e do desfile.

Esse modelo também foi vetado.

Na justificativa, a Prefeitura argumentou que a participação direta de vereadores nessas atividades poderia colocar integrantes do Legislativo em funções próprias da administração.

“A criação de comitê gestor incumbido de supervisionar alocação de recursos, gerir eventos e selecionar premiações, com a participação direta de vereadores e da Câmara Municipal, afronta diretamente o princípio da separação de poderes”, diz o documento.

O Executivo também sustentou que uma lei municipal não poderia atribuir funções administrativas a instituições autônomas, como o Ministério Público e o Poder Judiciário.

“Por vulnerarem as regras de competência orçamentária, separação dos poderes e a autonomia institucional dos órgãos mencionados, os arts. 4º e 5º da Lei nº 2.148/2026 merecem ser integralmente vetados”, afirma a justificativa.

Semana foi mantida

Apesar dos vetos, a Semana Municipal de Segurança Pública Integrada foi sancionada e passa a integrar o calendário do município.

A legislação mantém a proposta de reunir instituições como Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Conselho Tutelar, assistência social, Ministério Público, Judiciário, Câmara Municipal e outras entidades em ações relacionadas à segurança pública.

O que saiu do texto foram as regras que estabeleciam participação obrigatória, vinculação do custeio ao PPA e o modelo de comitê gestor previsto originalmente pelos vereadores.

O veto parcial foi comunicado ao presidente da Câmara Municipal, Ivan Cordeiro da Silva Filho. Agora, caberá ao Legislativo analisar a decisão do Executivo, conforme o procedimento previsto na Lei Orgânica Municipal.

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