Trabalhadores terceirizados da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) paralisaram as atividades nesta quarta-feira (9), em protesto contra o atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de agosto. Os funcionários são contratados pela empresa Creta e cobram a regularização dos vencimentos.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes do Estado da Bahia (Sindilimp-BA), a paralisação deve continuar até que os salários sejam pagos. A mobilização atinge trabalhadores de áreas como limpeza, manutenção, recepção e outros serviços terceirizados no campus.
O diretor jurídico do Sindilimp-BA, Reinaldo Neris, afirmou que a situação se repete e que os trabalhadores estão arcando com prejuízos pessoais por causa dos atrasos. “É mais uma vez a falta de respeito com esses trabalhadores terceirizados, trabalhadores que botam essa universidade para funcionar”, disse, em entrevista ao Blog do Caique Santos/Rádio Clube FM.
Reinaldo relatou que há trabalhadores com aluguel, cartão de crédito e pensão alimentícia em atraso. Segundo ele, a Reitoria da Uesb informou em reunião que existe a possibilidade de rompimento do contrato com a empresa, mas a categoria cobra garantias sobre o pagamento dos salários e das verbas rescisórias.
“A pergunta que todo mundo quer saber é a seguinte: quem vai pagar a rescisão? Se a empresa não está pagando salário, vai pagar a rescisão? Quem vai pagar o salário desses trabalhadores até entrar a segunda, terceira ou quarta empresa?”, questionou o diretor jurídico do sindicato.
Ainda de acordo com Reinaldo Neris, o sindicato apresentou a proposta de pagamento via PIX para tentar agilizar a quitação dos salários, diante da alegação de dificuldades na documentação da empresa. Ele também criticou a possibilidade de uso de verba retida para pagar salários, afirmando que esse recurso deveria servir para complementar verbas rescisórias, caso a empresa não arque com as obrigações.
O servente Mauro Sérgio, trabalhador terceirizado da Uesb, disse que o problema não começou agora e lembrou que trabalhadores já enfrentaram dificuldades com a empresa anterior. Ele contou que recebeu normalmente nos primeiros meses da Creta, mas que os atrasos passaram a se repetir nos últimos meses.
“Os primeiros meses recebemos os pagamentos normais. De seis, sete meses para cá, começaram os atrasos”, afirmou Mauro. Segundo ele, os pagamentos passaram a ocorrer de forma irregular entre setores, com alguns trabalhadores recebendo antes e outros esperando vários dias a mais.
Mauro relatou que a situação afeta diretamente a vida familiar dos funcionários. “Tem aluguel atrasado, filho em casa, contas atrasadas para pagar. Tem gente que usa cartão para cobrir as dívidas confiando no pagamento do mês”, disse o servente, ao explicar os impactos do atraso salarial na rotina da categoria.
A situação não é inédita. Em agosto, trabalhadores terceirizados da universidade também suspenderam as atividades devido a atrasos no pagamento de salários, auxílio-transporte e outros direitos trabalhistas. Na ocasião, a Uesb informou a criação de uma comissão para avaliar medidas jurídicas cabíveis diante dos descumprimentos contratuais atribuídos à empresa.
A nova paralisação aumenta a preocupação dos trabalhadores com a continuidade dos pagamentos e com o cumprimento das demais obrigações trabalhistas. O Blog do Caique Santos acompanha o caso e atualizará as informações caso haja novo posicionamento oficial da Uesb ou da empresa Creta.
Procurada, a empresa Creta não atendeu nossa solicitações.
Uesb acompanha regularização de pagamentos a trabalhadores terceirizados
A Uesb informou através de nota, nesta sexta-feira, 11 , que ontem, a empresa Creta comunicou a realização dos pagamentos devidos aos seus colaboradores e a continuidade da prestação dos serviços nos três campi da Universidade.
Diante da ocorrência desse novo atraso, a situação permanece sendo acompanhada pela Instituição, com o objetivo de assegurar que não persista qualquer pendência de pagamento aos trabalhadores que prestam serviços à Universidade, bem como de evitar a interrupção das atividades contratadas.
A Uesb reiterou que não possui qualquer pendência financeira com a empresa prestadora de serviços e que os problemas verificados decorrem de questões relacionadas à própria empresa Creta, que, conforme informações disponíveis, enfrenta situações semelhantes em contratos mantidos com outras instituições.
Ainda de acordo com a nota, diante da recorrência dos problemas e dos prejuízos causados à rotina acadêmica e administrativa, e mantendo como preocupação permanente a garantia dos direitos dos trabalhadores terceirizados, a Uesb segue adotando os encaminhamentos administrativos e jurídicos cabíveis, inclusive quanto às medidas previstas na legislação e nos instrumentos contratuais, em consonância com as orientações e recomendações da Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb).
Fotos da paralisação
Fotos: Blog do Caique Santos.
Entrevistas: Blog do Caique Santos/Rádio Clube FM.



















