Arquivo Público relembra festivais que marcaram a história cultural de Vitória da Conquista

Registro histórico da dupla Canhoto e Canhotinho na década de 1990 em Vitória da Conquista
Imagem: Arquivo Público Municipal/PMVC

O Arquivo Público Municipal de Vitória da Conquista reuniu registros que mostram como festivais, festejos e encontros musicais ajudaram a construir a história cultural da cidade. A publicação ocorre no mesmo fim de semana em que o município recebe a 8ª edição do Conquista Moto Rock, iniciada na quinta-feira (17) e com programação até domingo (20).

O acervo preserva fotografias, jornais, antologias, diários oficiais, leis e documentos administrativos. A partir desses materiais, é possível revisitar eventos realizados nas décadas de 1980 e 1990 e acompanhar a transformação de manifestações culturais que seguem presentes na cidade, do forró ao rock independente.

Festival de Inverno tinha competições e várias linguagens

Entre os registros destacados está o antigo Festival de Inverno da Bahia. Na década de 1990, o evento reunia artistas em competições e premiações de diferentes linguagens culturais, com atividades no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.

Nas primeiras edições, a programação era mais concentrada em música e artes plásticas. Em 1993, com apoio da Prefeitura, da Fundação Cultural da Bahia e da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia, o festival passou a incluir teatro, dança, folclore, literatura, vídeo, xadrez e o concurso Garota FIB.

Segundo a Prefeitura, documentos do Arquivo Público mostram a circulação de participantes de outras regiões do país e relacionam o festival à movimentação cultural e turística de Vitória da Conquista naquele período.

O secretário municipal de Cultura, Alecxandre Magno, também aparece nessa história como participante. Ele venceu uma edição do Festival de Inverno em 1989. Para o secretário, os eventos culturais têm impacto que vai além dos palcos.

“A cultura é uma importante ferramenta de desenvolvimento econômico. Além do impacto financeiro, existe um ganho social muito significativo. Esses eventos fortalecem nossa identidade regional, promovem lazer para a população, geram oportunidades de trabalho e consolidam Vitória da Conquista como um importante destino turístico na Bahia”, afirmou.

Forró, Natal e memória popular

O Arquivo Público também guarda registros do Forró da Conquista, que marcou as festas juninas da cidade na década de 1990. Nomes como Dominguinhos, Waldonys, Oswaldinho do Acordeon e Edigar Mão Branca estiveram entre os artistas que passaram por barracões e praças do município.

Outra parte do acervo reúne imagens dos festejos natalinos na Praça Tancredo Neves, com apresentações de cantores, bandas, corais, orquestras e ternos de reis. Entre os nomes citados pela Prefeitura estão Papalo Monteiro, Marta Moreno, Alisson Menezes e Elomar Figueira Mello.

Para a gerente do Arquivo Público, Edna Soares, preservar esses registros é uma forma de manter a memória cultural acessível. “Os acervos do Arquivo são fundamentais para a preservação da memória cultural, pois os acervos catalogados auxiliam nas consultas, na realização de exposições, publicações, documentários e projetos educativos, ampliando o acesso à história cultural da cidade”, disse.

Do Moto Rock à cena independente

A publicação também relaciona os registros históricos à diversidade cultural atual de Vitória da Conquista. Além do Conquista Moto Rock, que reúne rock, motociclistas e motoclubes, a cidade abriga eventos como o Metal Fest e o Festival Suíça Bahiana, ligado à música autoral e independente.

Segundo a Prefeitura, o Moto Rock reuniu cerca de 80 mil pessoas em 2025 e recebeu participantes de 20 estados, movimentando a cultura e a economia do Planalto da Conquista.

O Festival Suíça Bahiana, com mais de 16 anos de história, integra o calendário oficial do município e é reconhecido como patrimônio cultural e imaterial de Vitória da Conquista. O guitarrista Lázaro Ribeiro, da banda Cama de Jornal, destacou a importância do evento para bandas autorais.

“Esses festivais autorais funcionam como um incentivo para que as bandas continuem compondo, produzindo e resistindo. Pra mim, o Suíça Bahiana é o principal, porque é o único que dá espaço para as bandas 100% autorais”, afirmou.

O acervo do Arquivo Público Municipal pode ser consultado por pesquisadores, estudantes e demais interessados em conhecer mais sobre a história de Vitória da Conquista.

Com informações da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. Imagem: Arquivo Público Municipal/PMVC.

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