Indicação apresentada pelo presidente da Câmara busca reduzir a poluição visual, valorizar o patrimônio e preparar o Centro para uma nova etapa de requalificação urbana
Imagine caminhar pelo Centro de Vitória da Conquista e conseguir observar com mais clareza as fachadas antigas, os prédios históricos, as praças e os detalhes da arquitetura que contam parte da história da cidade. Imagine também ruas com menos postes, menos fios cruzando o céu e mais espaço visual para o patrimônio que existe no coração do município.
É pensando nessa possibilidade que o vereador e presidente da Câmara Municipal, Ivan Cordeiro, apresentou durante a sessão desta sexta-feira (18) uma indicação ao Poder Executivo para que seja realizado um estudo técnico sobre a implantação progressiva de fiação subterrânea no Centro Histórico de Vitória da Conquista.
A proposta não significa que uma grande obra será feita imediatamente. O primeiro passo sugerido pelo vereador é justamente estudar a viabilidade da iniciativa: quais áreas poderiam ser contempladas, quanto custaria, como seria feita a implantação, quais empresas e concessionárias precisariam participar e de que forma a execução poderia acontecer por etapas.
A ideia é começar pelas áreas de maior importância histórica, cultural e turística, além dos locais com grande circulação de pedestres.
Menos fios, mais cidade
Quem passa diariamente pelo Centro talvez já tenha se acostumado com a quantidade de fios e cabos instalados nos postes. Mas basta olhar com atenção para perceber que essa estrutura também interfere na paisagem. Em alguns pontos, o excesso de fiação cobre fachadas, atravessa a frente de prédios e dificulta a visualização de elementos que fazem parte da identidade de Vitória da Conquista.
A proposta de Ivan Cordeiro parte de uma ideia simples: se o Centro conta a história da cidade, a paisagem também precisa ajudar a contar essa história.
“Quando falamos em cuidar do Centro Histórico, não estamos falando apenas de preservar prédios antigos. Estamos falando também de cuidar da paisagem, de valorizar aquilo que as pessoas veem e de permitir que a nossa história esteja mais presente no cotidiano da cidade. A fiação subterrânea pode contribuir para que as fachadas, os monumentos e os espaços históricos de Vitória da Conquista ganhem mais destaque”, afirma o vereador.
A retirada gradual dos fios e postes das áreas selecionadas poderia contribuir para melhorar a aparência das ruas, valorizar os imóveis históricos, ampliar a sensação de organização e criar melhores condições para projetos de iluminação, paisagismo e mobiliário urbano. A proposta também pode ter impacto na experiência de quem circula pelo Centro — moradores, comerciantes, trabalhadores, estudantes e visitantes.
Não é uma ideia distante da realidade
A fiação subterrânea já foi utilizada em projetos de requalificação urbana em diferentes cidades brasileiras. Um dos exemplos é Sobral, no Ceará, que implantou um projeto de internalização das redes elétrica, telefônica e de comunicação em seu Centro Histórico. A iniciativa envolveu Prefeitura, Governo do Estado e IPHAN e foi desenvolvida de forma planejada e progressiva.
Outro exemplo está em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Durante a revitalização da Rua 14 de Julho, uma das principais áreas comerciais da cidade, a rede elétrica foi instalada de forma subterrânea. Ao todo, foram retirados 96 postes e mais de 11 quilômetros de cabos aéreos em um trecho de aproximadamente 1,4 quilômetro.
Nos dois casos, a mudança na infraestrutura fez parte de projetos mais amplos de requalificação dos espaços urbanos.
A experiência de outras cidades mostra que a fiação subterrânea pode ser mais do que uma simples troca de infraestrutura. Ela pode integrar um projeto maior de transformação do espaço urbano, valorização do patrimônio e melhoria da paisagem.
Uma proposta que começa pelo planejamento
É justamente por reconhecer a complexidade de uma intervenção como essa que Ivan Cordeiro não propõe uma obra imediata. A indicação solicita que o município avalie tecnicamente a possibilidade de implantação progressiva da rede subterrânea.
“Não estamos propondo uma obra para acontecer de forma imediata, sem planejamento. Estamos propondo que o município faça um estudo técnico para saber como isso pode ser realizado, quais são os custos, quais áreas devem ser priorizadas e quais parcerias podem ser construídas. Podemos começar por um projeto-piloto e avançar gradualmente, de acordo com a viabilidade técnica e financeira”, explica Ivan.
Entre os pontos que poderiam ser analisados estão as condições da infraestrutura atual, as áreas prioritárias, os custos, as fontes de financiamento, a participação das concessionárias de energia e telecomunicações e a possibilidade de parcerias com os governos estadual e federal e com instituições ligadas à preservação do patrimônio. Também poderia ser estudada a criação de um projeto-piloto, contemplando inicialmente uma ou algumas ruas do Centro Histórico. A partir dos resultados, a iniciativa poderia ser ampliada gradualmente para outras áreas. Esse modelo permitiria que a cidade avançasse sem a necessidade de transformar todo o Centro de uma única vez.
A indicação também dá continuidade a outra iniciativa
A proposta apresentada agora também está relacionada a uma discussão que já vem sendo conduzida pelo mandato de Ivan Cordeiro.
O vereador é autor do Projeto de Lei nº 64/2026, que estabelece regras para a instalação e manutenção da infraestrutura de cabos suspensos em Vitória da Conquista. O projeto busca estabelecer critérios para a organização dos cabos e evitar a permanência de fios sem utilização ou instalados de forma desordenada. A matéria foi aprovada pela Câmara Municipal em segunda votação no dia 2 de setembro.
A nova indicação amplia essa discussão: além de organizar melhor a estrutura que permanece nas ruas, pensar também em como a cidade poderá construir, no futuro, uma infraestrutura diferente em áreas estratégicas.
Um Centro mais bonito, acessível e valorizado
A proposta pode trazer reflexões que vão além da estética. Com menos postes ocupando as calçadas, podem surgir novas possibilidades para circulação de pedestres, acessibilidade, paisagismo e organização do mobiliário urbano. A retirada dos cabos também pode contribuir para valorizar fachadas e espaços que fazem parte da memória de Vitória da Conquista e criar um ambiente mais agradável para o comércio, para o turismo e para a convivência.
O Centro Histórico é, afinal, mais do que uma área comercial. É um espaço onde diferentes gerações se encontram e onde a cidade preserva parte de sua memória.
Vitória da Conquista tem hoje uma população estimada em 396.613 habitantes, segundo o IBGE. Uma cidade desse porte precisa pensar não apenas nos problemas de hoje, mas também em como quer organizar seus espaços urbanos para as próximas décadas. E é esse o sentido da indicação apresentada por Ivan Cordeiro: começar a discutir hoje o Centro que Vitória da Conquista quer ter amanhã.
“Vitória da Conquista cresceu e continua crescendo, e nós precisamos pensar também na cidade que queremos deixar para as próximas gerações. Uma cidade moderna não precisa abrir mão da sua história. Pelo contrário: podemos utilizar a tecnologia e o planejamento urbano para valorizar ainda mais aquilo que temos de mais importante. A ideia é construir um Centro mais organizado, acessível, bonito e preparado para receber moradores, comerciantes e visitantes”, destaca o presidente da Câmara.
A fiação subterrânea não é uma solução simples nem barata. Exige planejamento, recursos, diálogo com concessionárias e um projeto de longo prazo. Mas experiências como as de Sobral e Campo Grande mostram que é possível transformar essa ideia em projeto urbano quando existe planejamento e integração entre diferentes setores. No fim, a discussão é sobre como Vitória da Conquista quer enxergar e viver o seu Centro Histórico no futuro.
Para Ivan Cordeiro, o primeiro passo é abrir essa discussão e transformar a possibilidade em um estudo concreto, capaz de apontar caminhos para uma cidade que preserve sua memória, valorize seu patrimônio e, ao mesmo tempo, avance em direção a uma infraestrutura urbana mais moderna.
Por Andréa Póvoas















